Centro de combates, leste da Líbia volta a ser alvo de bombardeios aéreos

Soldados do governo líbio no caminho para Ajdabiya, em foto de 15 de março de 2011 Direito de imagem Reuters
Image caption Ofensivas do governo no leste do país testam limites de rebeldes

Forças do governo líbio e rebeldes voltaram a entrar em confrontos nesta quinta-feira, disputando o controle da cidade de Benghazi, até agora mantida sob controle da oposição.

Testemunhas dizem ter visto aviões de guerra do regime de Muamar Khadafi atacar as forças rebeldes.

O porta-voz da oposição, Mustafa Gheriani, confirmou à BBC que o aeroporto nos arredores da cidade foi atingido.

A ofensiva vem horas depois que os rebeldes afirmaram ter contido o avanço das forças de Khadafi no leste da Líbia.

Um repórter da BBC na cidade de Ajdabiya - a última localidade antes de Benghazi - disse que os oposicionistas usaram armas pesadas e pelo menos um avião caça para resistir às tropas do governo.

Um novo ataque a Benghazi já era esperado. Na quarta-feira, o Comitê Internacional da Cruz Vermelha chegou a retirar o seu pessoal da cidade temendo a iminente chegada da violência.

Enquanto os combates prosseguem na frente de batalha, no plano diplomático continuam as discussões sobre a decretação de uma possível zona de exclusão aérea sobre a Líbia para evitar mais ataques do governo.

Ainda nesta quinta-feira o Conselho de Segurança da ONU pode votar uma resolução sobre o assunto. China e Rússia se opõem a um bloqueio aéreo e preferem uma resolução impondo primeiro um cessar-fogo.

Negociações

Na quarta-feira, os Estados Unidos disseram estar preparados para apoiar a imposição do bloqueio aéreo, mas apenas se a medida tiver a autorização da ONU.

Entre os diplomatas, as negociações têm sido longas e difíceis. Na Europa, Grã-Bretanha e França foram os mais fortes defensores de um bloqueio aéreo. Após uma hesitação inicial, os países que integram a Liga Árabe também se manifestaram favoravelmente.

Em um primeiro momento, os Estados Unidos haviam manifestado restrições em relação à imposição de uma zona de exclusão aérea, assim como Alemanha, Rússia e China.

Agora, os americanos acreditam que a medida está entre as ações necessárias para colocar Khadafi sob pressão.

Ainda assim, a embaixadora americana na ONU, Susan Rice, disse acreditar que a restrição aérea não seja suficiente para proteger a população da Líbia.

"Esse tipo de medida possui limitações inerentes em termos de proteção de civis que estão sob risco imediato'', afirmou Rice.

Linguagem polêmica

A correspondente da BBC na ONU, Barbara Plett, afirma que a polêmica envolvendo a resolução da ONU reside em sua linguagem polêmica, que prevê todas as ações necessárias para a proteção de civis.

Alguns interpretaram este trecho como uma autorização de ataques contra forças terrestres do governo, caso civis estejam sob ataque.

A Rússia e a China possuem sérias restrições em relação a uma ação militar, assim como a China. Como contrapartida, os russos propuseram uma resolução impondo primeiro um cessar-fogo.

De acordo com diplomatas ocidentais, a proposta foi rejeitada por ter sido considerada excessivamente branda.

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