Comunidade internacional reage com cautela a 'cessar-fogo' na Líbia

Hillary Clinton/Reuters Direito de imagem BBC World Service
Image caption Hillary diz que continuará a pressionar para que Khadafi deixe o cargo

A comunidade internacional vem reagindo com cautela ao anúncio feito pelo regime de Muamar Khadafi nesta sexta-feira de que suspenderia os ataques contra oponentes de seu governo na Líbia, depois da aprovação de uma resolução da ONU autorizando uma ação militar internacional para frear a ofensiva contra os rebeldes.

A secretária de Estado americana, Hillary Clinton, disse que "não responderemos ou nos satisfaremos com palavras, mas precisamos ver ações concretas, o que não aconteceu ainda".

"Continuaremos a trabalhar com nossos parceiros na comunidade internacional para pressionar Khadafi a deixar o cargo e apoiar as legítimas aspirações do povo líbio", disse ela.

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O premiê britânico, David Cameron, disse que Khadafi será julgado por suas ações e não pelas palavras.

Reunião em Paris

Em Madri, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, disse que "a Líbia deverá cumprir completa e imediatamente a resolução da ONU e decretar um cessar-fogo imediato".

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Ao seu lado, o premiê espanhol, José Luis Zapatero, disse que a comunidade internacional "não será enganada" pelo regime líbio e verificará o cumprimento da resolução da ONU, de acordo com o jornal espanhol El País.

Já chanceler alemã, Angela Merkel, disse que a resposta líbia seria "encorajadora".

Em Bruxelas, a ministra das Relações Exteriores da União Europeia, Catherine Ashton, disse que o bloco está "olhando em detalhes" a oferta líbia de cessar-fogo.

No sábado, ocorre uma reunião de emergência em Paris para discutir a situação no país árabe.

A lista completa dos presentes não foi divulgada, mas Ban Ki-moon, Cameron, Zapatero, Ashton e o líder da União Árabe, Amr Moussa, confirmaram a presença.

Misrata

As declarações foram feitas em meio a relatos de que forças pró-Khadafi continuam bombardeando a cidade de Misrata, a única controlada por rebeldes no oeste do país. Não está claro se o ataque prosseguiu após o anúncio de cessar-fogo.

Um médico de um hospital da cidade disse que pelo menos 25 pessoas morreram.

Também há relatos de confrontos nas cidades de Zintan e Nalut, também no oeste.

No leste, nos últimos dias, as tropas do governo vinham avançando na região entre as cidades de Ajdabiya e Benghazi – o principal bastião dos rebeldes.

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