Japão consegue resfriar três reatores nucleares de Fukushima

Bombeiros jogam água em reator da usina Daiichi Direito de imagem AFP
Image caption Operação de resfriamento do reator número 3 durou 13 horas

Técnicos japoneses conseguiram resfriar os reatores número 5 e 6 da usina nuclear de Fukushima Daiichi após restaurar o fornecimento de energia nos edifícios que abrigam os reatores. Engenheiros e forças de defesa continuam a operação para resfriar os reatores da usina e evitar maiores vazamentos de material radioativo.

A usina Daiichi foi danificada pelo pelo terremoto e tsunami que atingiram o país em 11 de março.

Segundo a agência de notícias Kyodo News, a temperatura da água dos reservatórios de combustível dos reatores 5 e 6 caiu depois que um gerador de energia recém-conectado aos cabos de força conseguiu reativar o sistema de resfriamento neste sábado.

A companhia que opera a usina, Tokyo Electric Company (Tepco), disse que deverá restaurar a energia elétrica nos reatores 1 e 2 da usina até domingo.

Em comunicado, a Agência Internacional de Energia Atômica da ONU (AIEA) advertiu que, mesmo que se consiga reativar o fornecimento de energia nos dois reatores, ainda não se sabe se as bombas de água que resfriam os reservatórios de combustível funcionarão, ou se foram permanentemente danificadas.

O diretor geral da AIEA, Yukio Amano, deixou o país neste sábado rumo a Viena, após ter reuniões com líderes do governo e com oficiais da Tokyo Electric Company (Tepco), empresa que opera a usina Daiichi.

Resfriamento com água

Os bombeiros também terminaram nesta madrugada (hora local do Japão) a operação de resfriamento do reator número 3 da usina.

Eles passaram 13 horas despejando água no reservatório de combustível nuclear do reator com uma mangueira, até conseguirem baixar sua temperatura.

De acordo com a Kyodo, uma operação semelhante já começou a ser realizada no reator número 4.

O tsunami que atingiu a província de Fukushima, que fica 220 quilômetros à nordeste de Tóquio, causou uma pane nos sistemas de resfriamento dos reatores.

Enquanto os técnicos lutavam para impedir o superaquecimento das estruturas, quatro reatores sofreram explosões provocadas pelo acúmulo de hidrogênio.

O aquecimento e evaporação da água do reservatório onde ficam as barras de combustível nuclear dos reatores provocou o vazamento de material radioativo, causando pânico na população.

Radiação

Neste sábado, o governo japonês informou que na última quinta-feira foram detectados níveis de iodo radioativo mais altos do que o permitido pela legislação japonesa na água encanada de uma cidade na Província de Fukushima.

Em outras cidades da região, encontrou-se níveis altos de iodo radioativo também no leite e em alguns vegetais, aumentando a preocupação do governo com a contaminação, segundo a Kyodo.

De acordo com a AIEA, o Ministério da Saúde, Trabalho e Bem-estar do Japão proibiu a venda dos produtos e está realizando mais testes.

Pequenas quantidades da substância radioativa foram encontradas também na água de Tóquio e na maioria das Províncias vizinhas de Fukushima, informou o governo.

O Ministério da Saúde advertiu os governos locais de que, se a quantidade de materiais radioativos na água aumentasse, a população deveria evitar beber água da torneira.

No entanto, segundo a Kyodo, o Ministério afirmou que, até o momento, o uso normal da água encanada não oferece risco à saúde.

O terremoto de magnitude 9,0 seguido de tsunami causou devastação no Japão e mergulhou o país em uma crise nuclear e humanitária.

O número de mortos em conseqüência da catástrofe chega a 7,6 mil, segundo a polícia japonesa.

Cerca de 360 mil pessoas que abandonaram suas casas se juntam a outros 26 mil sobreviventes resgatados dos destroços do tsunami.

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