Após coquetel e dia dedicado a acordos, Obama e família viajam ao Rio

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Image caption Obama e sua família são recebidos por Dilma no Palácio da Alvorada

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, se despediu de Brasília com um coquetel no Palácio da Alvorada e partiu rumo ao Rio de Janeiro, junto de sua família, pouco depois das 19h deste sábado, dando continuidade a sua visita ao Brasil.

No Rio, ele deve visitar o Corcovado e falar no Theatro Municipal, após o cancelamento de seu discurso aberto ao público na Cinelândia – segundo fontes da embaixada americana, por questões de segurança e de custos elevados.

O primeiro dia da viagem, em Brasília, foi mais focado em exaltar a parceria comercial e em acordos bilaterais.

O documento final da visita diz que Obama e a presidente Dilma Rousseff concordaram o Conselho de Segurança da ONU precisa de reformas “para aprimorar sua efetividade e eficiência” e que o americano manifesta “apreço” à aspiração brasileira de obter uma vaga permanente no Conselho.

Isto não se iguala ao apoio explícito dado por Obama à candidatura da Índia, durante visita a Nova Déli em 2010, mas a diplomacia brasileira já não esperava um aval tão expressivo à ambição do país.

Pouco antes, Dilma havia dito em discurso que o Brasil está “pronto” para contribuir no Conselho de Segurança da ONU, num âmbito de “multipolaridade benigna” global. E Obama dissera que trabalharia ao lado de outros países para tornar o Conselho mais representativo.

O documento final também “saúda a designação do G20 como o mais alto foro para coordenação de políticas econômicas” globais e os esforços “para reforçar a governança das instituições financeiras internacionais”.

A visita incluiu a assinatura de um Memorando de Entendimento em megaeventos esportivos, destinado a “dinamizar a cooperação bilateral em infraestrutura e segurança”.

Sobre a volatilidade dos preços das commodities – tema caro ao Brasil, por ser grande exportador –, o documento reconhece a “necessidade de maior transparência nos mercados e aperfeiçoamento na regulamentação”, mas pede “cuidado ao considerar medidas que poderiam distorcer o funcionamento dos mercados”.

Almoço

Na parte diplomática, em almoço no Palácio Itamaraty, Dilma disse a Obama que é de “mútuo interesse que Brasil e EUA promovam fluxos (comerciais) mais equilibrados”, num momento em que o Brasil amarga déficit de quase US$ 8 bilhões com os EUA e que os americanos querem ampliar suas exportações.

O almoço foi oferecido a Obama e sua mulher, Michelle, na tarde deste sábado.

Obama também discursou, sem mencionar os temas na pauta bilateral. O presidente americano usou a oportunidade para enaltecer a “diversidade e o senso de reponsabilidade com seus povos e os do mundo” que os países têm em comum.

Além disto, ele ofereceu um brinde “ao novo dia” e ao progresso no país. Agradeceu a hospitalidade e disse, em português, que o espírito brasileiro é “simpático”.

A presidente brasileira aceitou o convite de Obama para visitar os Estados Unidos no segundo semestre deste ano.

Ex-presidentes

O almoço contou com a presença de empresários dos dois países, ministros e secretários brasileiros e americanos, congressistas e quatro ex-presidentes – Fernando Henrique Cardoso, Itamar Franco, José Sarney e Fernando Collor.

Sarney e FHC sentaram-se na mesa com Dilma e o casal Obama, junto também com o vice-presidente Michel Temer, o presidente da Câmara, Marco Maia, o chanceler Antonio Patriota e sua mulher, Tania.

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva também teria sido convidado, mas relatos dão conta que não queria “roubar” os holofotes da presidente Dilma, e por isto não compareceu.

Durante o almoço, Dilma celebrou o encontro entre a primeira presidente mulher do Brasil e o primeiro negro a governar os EUA, disse que está “disposta a fazer uma grande parceria energética com os EUA, no pré-sal e em energias renováveis” e agregou que os países perseguem a “conclusão bem-sucedida da Rodada Doha” da Organização Mundial de Comércio – negociação considerada moribunda pela maioria dos analistas.

O cardápio do encontro incluiu picanha, feijão tropeiro, couve, bolo de rolo, frutas da estação e sorvete de graviola.

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