Ao lado de Dilma, Obama diz que Brasil é cada vez mais um líder mundial

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Image caption Obama e Dilma se cumprimentam após pronunciamento no Planalto

O presidente americano, Barack Obama, disse neste sábado, em Brasília, que o Brasil é cada vez mais um líder mundial, e não somente regional, no contexto de uma nova realidade geopolítica global.

Em pronunciamento conjunto com a presidente Dilma Rousseff, feito no Palácio do Planalto, Obama não expressou diretamente seu apoio ao ingresso do Brasil como membro permanente do Conselho de Segurança da ONU.

No entanto, o presidente americano afirmou que os Estados Unidos vão continuar trabalhando "ao lado do Brasil e de outros países" para tornar o Conselho mais representativo, com a participação de novos atores importantes no cenário mundial.

Um comunicado conjunto publicado depois do pronunciamento, e assinado pelos dois presidentes, afirma que Obama "manifestou seu apreço" pela intenção do Brasil se tornar membro permanente do Conselho de Segurança e reconheceu as "responsabilidades globais" assumidas pelo país.

Segundo uma fonte do governo brasileiro, o fato de Obama ter manifestado, no comunicado final, seu "apreço" à ambição brasileira de ter uma vaga permanente no Conselho de Segurança foi considerado positivo, por ter sido um apoio dado por escrito. No entanto, o gesto esperado pelo lado brasileiro era uma manifestação pública de apoio ao Brasil, assim como a oferecida pelo presidente americano à Índia, no ano passado, em discurso feito em Nova Déli.

Em sua fala, Obama disse que o Brasil, como uma das maiores democracias do hemisfério, promove uma maior integração entre as Américas. O presidente americano destacou o "crescimento extraordinário" do Brasil, que passou de receptor de ajuda externa para doador de recursos a outros países.

Obama citou o “sacrifício” feito por pessoas como Dilma para transformar o Brasil de uma ditadura para uma democracia, e disse ter certeza de que a sua colega brasileira exercerá a liderança para viabilizar o progresso na relação entre os dois países.

O presidente americano afirmou que sua visita ao Brasil é uma oportunidade para estreitar a parceria entre os dois países nas áreas de energia renovável e de comércio. Ele também destacou as ações conjuntas entre EUA e Brasil em ações humanitárias, no combate ao tráfico de drogas e contra o trabalho infantil.

Dilma

Em seu discurso, Dilma ressaltou o fato de ela ser a primeira mulher na Presidência brasileira, recebendo em visita oficial o primeiro presidente negro da história dos Estados Unidos.

Dilma citou “contradições” que precisam ser superadas, pedindo o fim de medidas protecionistas no comércio com os Estados Unidos.

Ela reconheceu os esforços tomados pelo governo americano para sair da crise, mas disse que é necessário romper as barreiras aos produtos brasileiros e corrigir "desequilíbrios" na relação comercial entre os dois países.

A presidente pediu reformas em instituições como o Banco Mundial, o FMI e o Conselho de Segurança da ONU.

Quanto ao Conselho de Segurança, a presidente pediu um assento permanente no órgão, afirmando que o Brasil é um país comprometido com a paz, a tolerância e o diálogo, e que não pretende realizar uma “ocupação burocrática” de espaços como este.

Dilma destacou a importância de estabelecer parcerias com Estados Unidos nas áreas de infraestrutura e energia, tendo em vista a Copa do Mundo de 2014 e as Olimpíadas do Rio, em 2016.

Almoço

Depois do pronunciamento, em almoço promovido para mais de 150 pessoas no Palácio Itamaraty, Dilma afirmou que o Brasil está pronto para dar sua "contribuição à paz internacional" no Conselho de Segurança da ONU. "Queremos contribuir para uma multipolaridade benigna", disse.

A presidente também ressaltou a importância da cooperação entre Brasil e Estados Unidos na exploração do petróleo da camada do pré-sal e no desenvolvimento de tecnologias de energia renovável.

Sobre comércio, Dilma afirmou que tanto Brasil quanto Estados Unidos esperam uma conclusão bem-sucedida na rodada Doha, iniciada em 2001 para estimular o comércio entre os países e reduzir o protecionismo, mas que acabou suspensa em 2008 devido a desacordos sobre questões agrícolas.

Por sua vez, Obama citou o ex-presidente Juscelino Kubitschek (1956-61) ao dizer que Brasília seria "o raiar de um novo dia", e afirmou que sua visita cria as bases para cooperação não apenas para os povos americano e brasileiro, mas para todo o mundo.

O presidente americano afirmou que pretende ajudar o Brasil no que for possível em seu caminho de progresso econômico. "O crescimento do Brasil é um dos principais empreendimentos da nossa era", disse Obama.

Comunicado

O comunicado conjunto divulgado pelos governos americano e brasileiro informa que os dois países, entre outros acordos, firmaram a intenção de criar uma comissão permanente para o comércio e a cooperação econômica.

Segundo o comunicado, os dois presidentes reconheceram o G20 como fórum para coordenar a cooperação econômica internacional, encorajando a criação de políticas para corrigir desequilíbrios entre diversos países.

Ainda de acordo com o texto, Obama e Dilma concordaram em ampliar a cooperação entre Brasil e Estados Unidos na área de biocombustíveis e fontes renováveis de energia.

O comunicado informa também que Brasil e Estados Unidos irão revisar os programas de cooperação existentes na área da educação, com o objetivo de ampliar o intercâmbio de estudantes e de aumentar a disponibilidade de bolsas de estudo.

Além disto, dada a experiência dos Estados Unidos em organizar grandes eventos esportivos, ambos os países firmarão um acordo de cooperação para compartilhar informações relativas à Copa do Mundo de 2014 e as Olimpíadas de 2016, no Rio. A parceria se dará principalmente nas áreas de infraestrutura, segurança e proteção.

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