No Chile, Obama apresentará visão de 'aliança igualitária' com América Latina

O presidente americano, Barack Obama Direito de imagem AP
Image caption Após visita ao Brasil, Barack Obama segue rumo ao Chile

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, chega ao Chile nesta segunda-feira onde fará um aguardado discurso apresentando sua visão de uma “aliança igualitária” de seu país com a América Latina.

Em entrevista ao jornal El Mercúrio, Obama disse que tem perseguido essa visão "desde que assumiu a Presidência dos Estados Unidos".

O presidente americano também afirmou estar “contente” com o “sucesso e compromisso” de países como Chile e Brasil, entre outros da região, na consolidação “democrática” e “econômica”.

Para ele, o Chile é “um modelo para a região” e um “aliado próximo” dos Estados Unidos.

Obama falou ainda do seu “respeito e admiração” pelos chilenos pela forma como enfrentaram os efeitos do terremoto de magnitude 8,8 e o resgate de trinta e três mineiros numa mina, em 2010.

O ministro chileno das Relações Exteriores, Alfredo Moreno, disse neste domingo que Obama pode propor a atualização da “Aliança para o Progresso”, plano de cooperação lançado pelo então presidente John Kennedy, em 1961.

Moreno reconheceu, porém, que a região mudou desde então, e que novos assuntos dominam as preocupações comuns, como o combate ao narcotráfico.

Protestos

Segundo a agenda oficial, Obama deverá desembarcar em Santiago no início da tarde. Ele passará menos de 24 horas na capital.

Desde o domingo a cidade registra forte esquema de segurança para a visita. O Palácio presidencial La Moneda foi rodeado por grades e policiais chilenos estão no local acompanhados por cães farejadores.

O espaço aéreo também está sendo vigiado e o trânsito foi interrompido em alguns pontos do centro da cidade.

Na véspera do desembarque do presidente americano, que virá acompanhado de sua família, representantes do Partido Comunista e universitários realizaram protestos no centro da capital chilena.

A manifestação foi "contra a guerra e a favor da paz”, segundo os ativistas, que carregavam faixas com a frase "Não ao militarismo de Obama e sim à paz".

O anúncio da visita de Obama também provocou polêmica em torno de um acordo nuclear que foi assinado entre os dois países na última sexta-feira.

O versão preliminar do acordo tinha texto mais ameno do que o previsto inicialmente, mas a oposição e alguns setores da sociedade temem que ele volte a ser ampliado durante visita de Obama.

O Chile, que registrou um dos piores terremotos da sua história em 2010, teria modificado o projeto original do programa conjunto de energia nuclear com os americanos após o terremoto no Japão.

Chile

O Chile representa cerca de 4% do PIB da América Latina e foi o primeiro país da América do Sul a fazer parte da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).

No entanto, para o analista político Patrício Navia, Obama não escolheu o Chile como um dos três países de seu primeiro giro por seu peso econômico.

“Por seu tamanho, o Chile não pode aspirar ser prioridade para os Estados Unidos, que tem uma economia dezoito vezes maior que a nossa."

Navia diz que a opção de Obama por falar à América Latina do Chile é um "reconhecimento ao caminho que o país escolheu".

O professor de ciências políticas da Universidade do Chile Guillermo Holzmann e Ricardo Israel, da Universidade Autônoma do Chile, disseram à BBC Brasil que a visita do presidente americano tem “interesses políticos e comerciais”.

Segundo Holzmann, o Chile é “uma plataforma” para os demais países e está “plenamente integrado ao desenvolvimento mundial e à globalização”. Para Israel, não a escolha do Chile não é uma surpresa.

“O Chile é sede de vários organismos internacionais, como a Comissão Econômica para América Latina da ONU”, disse.

Assim como em Brasília e no Rio de Janeiro, a primeira-dama Michelle Obama também terá agenda própria em Santiago. Ela deve visitar uma escola na periferia, onde falará sobre a importância da educação.

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