'Futuro chegou' para o Brasil, diz Obama

Barack Obama no Theatro Municipal Direito de imagem AP
Image caption Obama disse que os Estados Unidos torcem pelo sucesso do Brasil

Em sua primeira visita ao Brasil, o presidente americano, Barack Obama, disse que o futuro chegou ao país. "Por tanto tempo vocês foram chamados de o país do futuro", disse o presidente, em discurso no Theatro Municipal, no Rio.

"O povo do Brasil deve saber que o futuro chegou. Está aqui, agora", afirmou o presidente, muito aplaudido pela plateia de mais de 2 mil pessoas, entre convidados, autoridades dos dois governos e jornalistas.

Obama elogiou a transição brasileira de uma ditadura a uma "democracia próspera", em que milhões de pessoas deixaram a pobreza, e disse que o país é um exemplo de liberdade.

"Onde quer que a luz da liberdade seja acesa, o mundo se torna um lugar melhor. Esse é o exemplo do Brasil, um país que prova que uma ditadura pode se tornar uma próspera democracia e que mostra que um grito por mudanças vindo das ruas pode mudar o mundo", disse, ao comentar os protestos por democracia no mundo árabe.

Impressões do Brasil

Durante o discurso, que durou pouco mais de 20 minutos, Obama conquistou a plateia ao falar algumas frases em português, contar sobre suas impressões do Brasil e até citar Jorge Benjor.

"Alô, cidade maravilhosa. Boa tarde todo o povo brasileiro", disse, ao subir ao palco.

O presidente agradeceu a acolhida "calorosa" que ele e sua família receberam e o fato de o público ter ido assistir ao discurso em dia de jogo entre Vasco e Botafogo – o que provocou protestos entre torcedores do Flamengo e do Fluminense.

Obama contou que uma de suas primeiras impressões do Brasil foi o filme Orfeu Negro, a que assistiu quando era criança, com sua mãe, e que se passa em uma favela no Brasil durante o Carnaval.

"Minha mãe adorava aquele filme", disse. "Minha mãe já morreu. Mas ela nunca imaginaria que a primeira viagem de seu filho ao Brasil seria como presidente dos Estados Unidos."

"E eu nunca imaginaria que esse país seria ainda mais bonito do que era no filme. Vocês são, como Jorge Benjor diz, um país tropical abençoado por Deus e bonito por natureza."

Futuro

O discurso de Obama vinha sendo considerado o momento em que o presidente americano falaria sobre o papel do Brasil no mundo e o futuro das relações bilaterais. Inicialmente, o discurso seria realizado na Cinelândia, para um grande público, mas acabou transferido para o Theatro Municipal.

O presidente disse que os dois países nem sempre concordaram em tudo. "Assim como qualquer outra nação, teremos nossas diferenças de opinião", afirmou.

"Mas estou aqui para dizer a vocês que o povo americano não apenas reconhece o sucesso do Brasil. Nós torcemos pelo sucesso do Brasil", disse, ao afirmar que os Estados Unidos querem trabalhar ao lado do país como "parceiros iguais".

Obama listou os vários setores em que os dois países podem cooperar, como ciência e tecnologia, inovação, energia, segurança, meio ambiente e desenvolvimento.

Nova fase

A visita de Obama ocorre depois de um período de esfriamento das relações bilaterais, marcado por posiçoes divergentes durante os últimos dois anos do governo de Luiz Inácio Lula da Silva em temas como o programa nuclear do Irã. A viagem tem sido encarada como uma oportunidade para uma nova fase nas relações, agora sob a presidência de Dilma Rousseff.

Obama mencionou os dois presidentes no discurso, ao falar que o Brasil mostra que é possível um menino pobre de Pernambuco se tornar presidente, e ao mencionar a história de Dilma, filha de um imigrante que foi torturada durante o governo militar até chegar ao poder.

Em viagem marcada também pelo caráter comercial, especialmente durante a passagem do presidente por Brasília, no sábado, Obama voltou a falar sobre a "necessidade" de expandir negócios e investimentos entre os dois países, principalmente nas áreas de energia e infraestrutura.

E assim como já tinha feito em seus pronunciamentos a empresários e à imprensa na capital, ressaltou as oportunidades de investimento criadas com a realização da Copa do Mundo de 2014 e dos Jogos Olímpicos de 2016 e brincou ao dizer que o Rio "não era sua primeira escollha" para sede dos jogos - já que torcia pela escolha de Chicago, seu berço político.

"Mas se os jogos nao podem ser em Chicago, nao há outro melhor lugar", disse. "E espero voltar em 2016."

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