General anuncia apoio a protestos contra presidente do Iêmen

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Image caption Iemenita protesta em funeral de mortos em manifestação.

Um dos principais generais do Iêmen declarou apoio público aos protestos contra o regime do presidente Ali Abdullah Saleh nesta segunda-feira.

O anúncio foi feito um dia depois de o presidente Saleh ter demitido todo seu gabinete, em uma aparente resposta à onda de protestos no país - que já dura um mês e durante a qual dezenas de pessoas morreram.

A declaração do general Ali Mohsen al-Ahmar - que até agora era um aliado próximo de Saleh - aumenta ainda mais a pressão pela renúncia do presidente. Dois comandantes do Exército já teriam deixado seus cargos em protesto.

O general Mohsen é comandante de uma divisão do Exército que enviou unidades à principal praça da capital, Sanaa, onde os protestos contra o governo vinham sendo realizados.

"A crise está ficando mais complicada e está empurrando o país na direção da violência e da guerra civil", disse o general em declaração transmitida pela rede de TV Al Jazeera. "De acordo com o que sinto, e de acordo com o que muitos de meus companheiros e soldados sentem, anuncio meio apoio e nosso apoio pacífico à revolução dos jovens. Vamos cumprir nossos deveres de manter a segurança e a estabilidade", afirmou.

Tanques foram estacionados em frente ao palácio presidencial, em seguida ao anúncio de Mohsen. Há tanques também em outros locais de Sanaa, incluindo o Banco Central e o Ministério da Defesa.

O governador da província sulista de Aden também teria renunciado em reação à repressão violenta de protestos contra o governo.

O presidente Saleh enfrenta uma série de renúncias de ministros e oficiais militares desde a morte de 45 pessoas em uma manifestação antigoverno na última sexta-feira. Testemunhas afirmam que homens armados à paisana dispararam contra manifestantes na praça central da capital, no que a oposição chamou de massacre. Dezenas de milhares de pessoas compareceram aos funerais.

Saleh declarou estado nacional de emergência, mas negou que suas forças fossem responsáveis pelas mortes.

Nesta segunda-feira havia relatos de que 20 pessoas morreram em choques na província de al-Jawf, norte do Iêmen, entre rebeldes xiitas, soldados iemenitas e seus aliados tribais.

O Iêmen é um dos países do Oriente Médio que sofrem com revolta. Saleh está no poder há 32 anos. Ele enfrenta um movimento separatista no sul, a presença da Al Qaeda no país, e conflitos periódicos com tribos xiitas no norte. Ele afirmou que não concorrerá a um novo mandato em 2013, mas prometeu defender o regime "com todas as gotas de sangue".