Sri Lanka ainda luta para se recuperar mais de seis anos após tsunami

Casa no Sri Lanka destruída pelo tsunami de 2004 (imagem: BBC) Direito de imagem BBC World Service
Image caption O Sri Lanka ainda tem as marcas do tsunami de 2004

Segundo país mais atingido pelo tsunami que varreu o Oceano Índico em 2004, o Sri Lanka ainda luta para se recuperar, seis anos após a tragédia que deixou 40 mil mortos no país.

As vítimas do tsunami estão em toda parte. Antony Premasiri perdeu a esposa e a casa e hoje não tem onde morar, em parte devido a uma briga na família.

"Durmo aqui e ali", disse. "Não tenho um lugar onde ficar. Fico na varanda de alguém ou perto de um portão ou em qualquer lugar. Não tenho uma casa. Meus dois filhos estão com meus pais."

Premasiri diz ter engolido muita água do mar na tragédia e ter tido que ficar dois meses no hospital. Sua saúde nunca voltou ao normal, e ele não consegue voltar ao trabalho de pescador.

Dois andares

Muitos, entretanto, tiveram mais sorte do que Premasiri, e conseguiram ser beneficiados pelos recursos mobilizados para reconstruir o país. Perto de onde Premasiri vive, por exemplo, está um novo conjunto habitacional, construído para os que perderam suas casas em 2004.

Ao contrário de casas em áreas rurais, que têm apenas um andar, as casas do novo conjunto habitacional têm dois andares, o que daria aos moradores mais segurança no caso de outro tsunami.

Uma instituição de caridade local, a Foundation of Goodness, construiu as casas com dinheiro de doadores após consultar os moradores da região, sobre como elas deveriam ser.

A instituição foi fundada por Kushil Gunasekera, empresário e filantropo, e está ajudando pessoas de cerca de 40 vilarejos.

Como muitos, Gunasekera também está preocupado com o Japão.

"Me sinto absolutamente arrasado pela segunda vez. Na verdade, ainda mais (arrasado) pois acho que (o tsunami japonês) foi muito feroz comparado ao que nós passamos", disse.

"Precisamos ajudá-los da mesma forma que eles nos ajudaram. O povo japonês é muito benevolente e eles deram muito apoio naquela vez, e é o momento de ajudarmos de volta, da melhor maneira que pudermos."

Treinamentos

A maioria dos atendidos na instituição perdeu integrantes de suas famílias no tsunami de 2004.

A instituição também oferece cursos de críquete, natação e mergulho.

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Image caption Alunos recebem oferta de emprego antes do fim do curso de mergulho

Muitos dos que fazem estes cursos recebem ofertas de emprego mesmo antes de terminar as aulas. As ofertas vêm de empresas que trabalham no litoral, fazendo consertos em barcos e portos.

Antes do tsunami, muitos jovens da região trabalhavam na retirada ilegal de pedaços de coral, que eram vendidos para ser usados na construção. Esta atividade ilegal reduziu a proteção na costa do país contra tsunamis e foi suspensa.

'Nova chance'

Uma das alunas, NH Manuja, 20 anos, perdeu três irmas e uma sobrinha no tsunami. Agora, ela, os pais e três irmãs que sobreviveram afirmam que, apesar do luto, conseguiram retomar suas vidas.

Sam Heselev, um voluntário australiano que trabalha na instituição, testemunhou o tsunami.

"Definitivamente há uma mudança, uma perspectiva mais positiva aqui - estas pessoas estão olhando para o futuro", disse.

Os moradores destes vilarejos estão entre os mais afortunados, entretanto. A instituição de caridade está conseguindo chegar a outras partes da ilha, mas não consegue alcançar todas as áreas atingidas pelo tsunami.

A recuperação de áreas mais distantes no leste do Sri Lanka é muito mais lenta.

E, segundo Gunasekera, o medo de outro tsunami ainda não desapareceu.

No entanto, agora existem rotas de fuga, sistemas de alerta e treinamentos periódicos na região.

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