Israel bombardeia Gaza após ataque com foguetes palestinos

AFP Direito de imagem AFP
Image caption Israelenses se protegem de ataque na cidade de Beer Sheva

Aviões israelenses lançaram ataques aéreos contra a Cidade de Gaza nesta quarta-feira, horas depois de militantes palestinos terem disparado dois foguetes contra o sul de Israel.

Um dos foguetes atingiu a maior cidade da região, Beer Sheva, ferindo levemente quatro pessoas, segundo o Exército israelense. O segundo caiu perto da cidade de Ashdod.

O grupo palestino extremista Jihad Islâmica assumiu a autoria dos ataques, afirmando que foram uma represália à morte de oito palestinos em um ataque de Israel próximo à Cidade de Gaza que matou oito pessoas na terça-feira, entre eles duas crianças.

A nova onda de violência é considerada a mais grave desde a "Operação Chumbo Fundido" – a ofensiva israelense à Faixa de Gaza, de dezembro de 2008 a janeiro de 2009, que deixou cerca de 1,4 mil mortos do lado palestino e 13 do lado israelense.

O vice-primeiro-ministro de Israel, Silvan Shalom, afirmou que se a violência continuar, "não teremos alternativa, exceto uma segunda operação Chumbo Fundido".

O primeiro-ministro israelense, Binyamin Netanyahu disse nesta quarta-feira que as forças de Israel continuariam a mostrar "firme determinação" e a realizar ataques:

"As IDF (Forças de Defesa de Israel, na sigla em inglês) estão agindo e agirão contra organizações terroristas na Faixa de Gaza", disse o premiê, após os ataques com morteiros e foguetes. "Nenhum Estado está preparado para tolerar ataques com foguetes contínuos contra seus cidadãos", afirmou.

Pânico

Após os ataques com foguetes palestinos, a prefeitura de Beer Sheva ordenou o fechamento de todas as escolas depois que os foguetes atingiram a cidade, causando pânico na população.

O grupo Jihad Islâmico afirmou que os ataques eram "apenas uma reação preliminar aos crimes do sionismo contra nosso povo em Gaza".

Outro grupo palestino, o Comitê de Resistência Popular, assumiu a autoria de ataques com oito morteiros que foram lançados contra o sul de Israel.

Depois de 26 meses de uma relativa trégua entre Israel e os grupos militantes palestinos da Faixa de Gaza, a nova onda de violência teve início na terça-feira da semana passada, quando dois membros importantes do braço armado do Hamas foram mortos por um bombardeio israelense.

O analista militar do canal 10 da TV israelense, Alon Ben David, apontou aquele momento como o início da nova escalada e afirmou que o contra-ataque a morteiros lançados pelos palestinos tinha ido "além das proporções pontuais segundo as quais o Exército israelense costuma reagir" a esse tipo de ataque.

Nabil Abu Rodeina, porta-voz do presidente palestino, Mahmoud Abbas, acusou Israel de "provocar uma escalada para sabotar as tentativas dos palestinos de uma reconciliação nacional".

Nos últimos dias, tanto Abbas – do grupo Fatah – quanto o líder do Hamas na Faixa de Gaza, Ismail Hanyia, vinham mencionando a possibilidade de um encontro para por um fim à cisão entre as duas facções, que já vigora há quase quatro anos.

Notícias relacionadas