Tragédia custará US$ 309 bi aos cofres públicos do Japão, diz governo

Foto: Ewerthon Tobace/Especial para a BBC Brasil
Image caption Estoque de arroz começam a ser repostos na capital japonesa

O Banco Central japonês estima que a recuperação nas sete províncias da região nordeste do país atingidas pelo terremoto e pelo tsunami do último dia 11 custe aos cofres públicos mais de US$ 309 bilhões (R$ 512 bilhões).

Com isto, o governo do Japão espera que a taxa de crescimento econômico seja reduzida para 0.5% este ano.

O resultado poderá ser pior, caso persistam os efeitos da crise nuclear na usina de Fukushima Daiichi. No entanto, segundo o ministro da Economia e Política Fiscal japonês, Kaoru Yosano, a pressão negativa poderá ser neutralizada pelo trabalho de reconstrução das cidades destruídas pelo terremoto e pelo tsunami.

“Há pessoas que acreditam que a economia japonesa poderá afundar”, criticou o ministro. Ele afirmou à imprensa que a perda no Produto Interno Bruto (PIB) não será tão grande como dizem os críticos.

“Mas temos de ter em mente que, por causa do terremoto, a produção pode desacelerar numa extensa área e por um período prolongado”, acrescentou.

Já o Banco Mundial prevê que a recuperação da economia japonesa ganhará impulso apenas no final do ano, com um prejuízo estimado entre US$ 122 bilhões (R$ 202 bilhões) e US$ 235 bilhões (R$ 390 bilhoes).

“A economia do Japão terá, obviamente, uma queda no primeiro trimestre”, disse nesta quarta-feira o economista chefe do Banco Mundial, Justin Lin, durante um fórum econômico na China.

“Após o período de reconstrução, que deve ocupar o segundo e terceiro trimestre, a economia terá um avanço”, afirmou.

Indústria parada

Grandes indústrias japonesas como Sony, Toyota e Honda, anunciaram nesta semana a paralisação da produção, pelo menos até o final do mês.

As principais dificuldades enfrentadas são escassez de peças, problemas de infraestrutura e cortes de energia elétrica.

A Sony, uma das mais afetadas, reduziu a produção em cinco fábricas. “Se a escassez de componentes continuar, nós vamos considerar medidas alternativas, incluindo uma transferência da produção para o exterior”, anunciou a empresa em comunicado.

O economista Hideki Matsumura, do Instituto de Pesquisas do Japão, disse à BBC Brasil que, no curto prazo, o nível de atividade da economia japonesa deverá ser fortemente afetado, “principalmente devido à queda nas exportações de carros e de eletrônicos”.

Para Matsumura, o setor de serviços também será bastante prejudicado. “As pessoas estão mais ‘contidas’ e se preservando para um possível período difícil”, disse.

Hotéis, restaurantes, parques e campos de golfes já sentem o reflexo. Os dois parques do complexo Tokyo Disney Resort Park, na região metropolitana de Tóquio, por exemplo, continuam fechados por tempo indeterminado.

O setor de luxo, como lojas de grifes, joalherias, relojoarias e revendedoras de carros, segundo Matsumura, também sofrerão uma queda de consumo. “Já os setores de construção civil e de baterias deverão ter um crescimento significativo”, afirmou.

Itens básicos

Na semana após o terremoto, houve uma corrida aos supermercados e lojas de conveniência para estocar produtos. Arroz, água, pilhas, papel higiênico e outros itens de primeira necessidade sumiram das prateleiras.

Isao Marufushi, proprietário de uma loja de arroz na região metropolitana de Tóquio, diz que vendeu tudo o que tinha em três dias.

“Mas a distribuição já está voltando ao normal”, afirmou o comerciante à BBC Brasil. A loja existe há 40 anos e, neste período, ele disse que nunca vendeu todo o estoque. “A população entrou em pânico.”

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