Caça francês destrói avião que violou exclusão aérea na Líbia

Caça francês no Mediterrâneo/AP Direito de imagem AP
Image caption A França integra coalizão militar que participa de intervenção na Líbia

O governo da França anunciou nesta quinta-feira que um caça francês destruiu um avião líbio que voava na zona de exclusão aérea estabelecida no país do norte africano.

Segundo as Forças Armadas francesas, a aeronave acabara de pousar na cidade de Misrata (leste do país) quando foi atacada.

Esse foi o primeiro ataque do tipo desde a imposição da zona de exclusão aérea, estabelecida na semana passada por uma resolução do Conselho de Segurança da ONU com o objetivo de proteger civis de ataques das forças leais ao líder líbio Muamar Khadafi.

Uma coalizão de países, entre eles os Estados Unidos, tem lançado ataques na Líbia desde o fim de semana para torná-la uma realidade.

Na quarta-feira, funcionários do governo britânico haviam dito que a força aérea líbia perdera seu poder de combate.

Ataque

Relatos iniciais davam conta de que o avião líbio, um monomotor G-2/Galeb, estava no ar ao ser atingido.

Mas o porta-voz das Forças Armadas francesas Thierry Burkhard afirmou posteriormente que o avião tinha acabado de pousar quando foi atacado pelo jato francês, um Rafale.

Nesta quinta-feira, forças da coalizão atacaram alvos na Líbia pela quinta noite consecutiva.

O ministro das Relações Exteriores francês, Alain Juppé, disse esperar que a capacidade militar das forças pró-Khadafi seja destruída em “dias ou semanas”

Leia mais na BBC Brasil: Destruição militar da Líbia será ‘em dias ou semanas’, diz chanceler francês

Misrata

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, disse que até o momento não há sinais de que Khadafi atendeu a exigência da ONU de que declare um cessar-fogo imediato, estabelecida na resolução que criou a zona de exclusão aérea.

Nesta quinta-feira, testemunhas descreveram novos combates em Misrata, que vem sendo palco de uma dura batalha pelo controle da cidade.

Na periferia da cidade, pelo menos dois tanques de Khadafi teriam sido destruídos pela coalizão, mas há informações de que outros estariam na cidade, na região do porto.

Um morador disse à BBC que muitas grandes explosões foram ouvidas à noite.

“Mesmo agora, nós continuamos a ouvir os aviões circulando sobre Misrata”, disse ele.

“As forças de Khadafi ocuparam a rua principal – há muitos atiradores sobre os telhados naquela rua. Eles estão atirando indiscriminadamente na rua principal e em ruas próximas”, afirmou o morador.

Mais ao leste, na cidade de Ajdabiya, residentes relataram bombardeios, tiros e incêndios em casas.

A TV estatal da Líbia exibiu imagens de funerais de pessoas que teriam morrido nos ataques da coalizão e disse que a ofensiva já matou cem civis.

A coalizão alega que tem visado apenas alvos militares para evitar mortes de inocentes.

Ban Ki-moon voltou a pedir a todos os combatentes líbios (pró ou anti-Khadafi) que cessem as hostilidades.

“Todos os que violarem a lei humanitária internacional e de direitos humanos serão considerados integralmente imputáveis”, disse seu porta-voz Martin Nesirky.

Otan

Após negociações com outros países da Otan, a Turquia indicou nesta quinta-feira que passou a aceitar que a aliança assuma a liderança da missão na Líbia.

De acordo com a agência de notícias turca Anatolia, chanceler turco, Ahmet Davutoglu, disse que um consenso foi alcançado após consultas com representantes de Estados Unidos, França e Grã-Bretanha e que a operação “será completamente entregue à Otan”.

“Todas as preocupações e temores da Turquia foram eliminados”, disse, indicando que o bloco deve assumir a liderança em alguns dias.

A Turquia, que pertence à Otan, vinha resistindo à ideia de entregar a aliança papel preponderante na Líbia – algo que vinha sendo defendido por países da Aliança, como os Estados Unidos.

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