Alemães vão às ruas protestar contra uso de energia atômica

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Image caption Ativista pede fim do uso de energia nuclear durante protesto em Berlim

Milhares de pessoas participaram neste sábado de manifestações na Alemanha contra o uso de energia nuclear, em meio à crise vivida pelo Japão devido ao risco de vazamento radioativo na usina de Fukushima Daiichi.

Na capital alemã, Berlim, a multidão realizou um protesto junto à sede do Partido Democrata-Cristão, da chanceler (primeira-ministra) Angela Merkel. Uma grande manifestação também foi realizada em Hamburgo, no norte do país, além de outras cidades.

Segundo o editor de assuntos europeus da BBC, Sam Wilson, a multidão em Berlim parecia não estar convencida das recentes declarações de Merkel no sentido de reavaliar o uso de energia nuclear.

Em 2010, a chanceler havia decidido estender a vida útil das usinas do país, mas a medida foi suspensa logo depois da crise em Fukushima, causada pelo terremoto de magnitude 9,0, seguido por um tsunami, que atingiu o Japão no último dia 11.

De acordo com Wilson, os alemães veem motivações políticas nesta decisão de Merkel, com o objetivo de buscar apoio antes das eleições regionais marcadas para este domingo no Estado de Baden-Württemberg.

O Partido Democrata-Cristão domina o cenário político do Estado há 60 anos, mas, segundo o editor da BBC, pode perder esta hegemonia em meio ao sentimento antinuclear que parece tomar conta do país.

A Itália também se viu forçada a adiar planos de reintroduzir o uso de energia nuclear, que foi banida no país depios do desastre na usina de Chernobyl, em 1986, na Ucrânia (à época, parte da União Soviética).

Já o presidente francês, Nicolas Sarkozy, disse que, por conta do ocorrido no Japão, todas as 58 usinas nucleares do país serão submetidas a testes e que as que não forem aprovadas “serão fechadas. Isso está claro”.

Nessa sexta-feira, líderes da União Europeia (UE) concordaram em submeter suas usinas atômicas a “testes de resistência” até o final deste ano. No total, existem 143 reatores nucleares nos países do bloco europeu.

Depois de Chernobyl, diversos países europeus revisaram suas políticas quanto à energia atômica. No entanto, nos últimos anos, a busca por fontes de energia livres de carbono levaram os governos da região a retomar projetos de usinas nucleares.

Fukushima

Os níveis de material radioativo dispararam no mar próximo à usina de Fukushima Daiichi, superando em 1.250 vezes o limite permitido por lei, segundo afirmou neste sábado a agência de segurança nuclear japonesa.

De acordo com a agência, um amostra de água do mar coletada a cerca de 330 metros ao sul da usina mostrava uma concentração de iodo-131 1.250,8 vezes maior do que o nível determinado pela legislação do país.

Este é maior nível de radiação no local desde que os levantamentos começaram a ser feitos, no início da semana.

De acordo com a Tokyo Electric Power Company (Tepco), empresa que administra Fukushima, é muito provável que água radioativa tenha saído da usina e caído no mar, causando o aumento no nível de radiação.

A agência de segurança nuclear afirma que, se uma pessoa consumir 500ml de água com a mesma concentração de iodo radioativo, ela estará exposta ao limite máximo de radiação considerado normal para um ano inteiro.

A usina sofreu graves danos com o terremoto do último dia 11. O sistema de refrigeração dos reatores acabou sendo desligado, trazendo risco de vazamento de material radioativo.

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