Presidente do Iêmen nega que negocie saída

Reuters Direito de imagem Reuters (audio)
Image caption Manifestantes exigem saída imediata do presidente Ali Abdullah Saleh

O presidente do Iêmen, Ali Abdullah Saleh, negou as supostas declarações do chanceler do país, feitas no sábado de que estaria negociando uma saída do poder.

"Permanecemos firmes e não seremos balançados pelos eventos", disse Saleh, no poder há mais de 30 anos.

"A autoridade legítima é firme perante os desafios e não deixaremos uma pequena minoria fazer valer sua vontade sobre a grande maioria da população iemita."

Saleh havia dito que poderia deixar o poder até o fim do ano, mas a oposição exige sua saída imediata.

Protestos

Mais cedo no sábado, surgiu a informação de que o ministro das Relações Exteriores, Abubakr al-Qirbi, havia dito ter esperanças de chegar, até o final do dia, a um acordo para transição de poder no país, mas o chanceler depois disse ter sido mal-interpretado.

Nessa sexta-feira, dezenas de milhares de pessoas - a favor e contra o presidente - foram às ruas na capital do Iêmen, Sanaa, uma semana após 50 manifestantes terem sido mortos em um ato público.

Manifestantes contrários ao governo têm ido às ruas das principais cidades do país, um dos mais pobres do Oriente Médio, exigindo a renúncia do presidente, que está no poder desde 1978.

Segundo o correspondente da BBC, um dos maiores obstáculos para o entendimento entre as partes é a forma como o poder será transferido. Outra questão crucial é a situação da família de Saleh, que tem vários integrantes em posições importantes do governo.

Dois familiares particularmente impopulares junto aos iemenitas são o filho do presidente, Ahmed, que comanda a Guarda Republicana, e seu sobrinho e genro Yahia, que lidera as forças de segurança do país.

Mudança de lado

Alguns representantes do governo já passaram para o lado da oposição.

Uma das mais notórias baixas sofridas pelo regime iemenita foi a do general Ali Mohsen al-Ahmar - que era um aliado próximo de Saleh.

O general aderiu aos manifestantes antigoverno, aumentando ainda mais a pressão sobre o regime. Outros comandantes militares também seguiram os passos do general.

Funcionários do corpo diplomático de diferentes países vêm lotando aviões que estão saindo do Iêmen, devido a receios de que o país possa viver um banho de sangue.

Nações ocidentais temem que a Al Qaeda, que conta com uma célula no Iêmen, possa explorar um eventual vácuo de poder no país.

Além da ameaça de militantes extremistas, o Iêmen também enfrenta um movimento separatista no sul do país e conflitos com tribos xiitas ao norte.

Notícias relacionadas