Com diversas cidades retomadas, rebeldes líbios seguem para oeste

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Image caption Rebeldes comemoram retomada da cidade líbia de Ras Lanuf

Os rebeldes líbios contrários ao regime do coronel Muamar Khadafi avançam com rapidez em direção ao oeste do país, depois de terem retomado o controle de pelo menos quatro cidades que estavam sob as forças do governo.

Neste domingo, as cidades de Brega, Ugayla e Ras Lanuf voltaram ao domínio das forças de oposição ao regime. No sábado, foi a vez da cidade de Ajdabiya, que havia sofrido intenso bombardeio por parte da coalizão internacional que atua na Líbia.

Com o domínio de Ras Lanuf e Brega, os rebeldes controlam todos os principais terminais de petróleo no leste da Líbia. Já Ajdabiya fica na intersecção de duas grandes rodovias, o que abre caminho para os oposicionistas avançarem a oeste.

Estas três cidades haviam sido dominadas pelas forças leais a Khadafi antes dos ataques aéreos da coalizão, iniciados na semana passada.

Um comandante dos insurgentes disse ao correspondente da BBC na Líbia Ben Brown que os combatentes pró-Khadafi estão fugindo para salvar as suas vidas, indo para todas as direções em total retirada.

O comandante diz que, "com a ajuda de Deus", os insurgentes chegarão à cidade de Sirte na segunda-feira, mas admite que esta previsão é um pouco otimista demais. Sirte é a cidade natal do líder líbio, considerada uma de suas "fortalezas" mais bem resguardadas.

Brown afirma que a tarefa dos rebeldes será mais difícil daqui para a frente, principalmente em uma eventual ofensiva em Sirte. Mesmo assim, o repórter da BBC, que acompanha os oposicionistas em sua campanha, diz que o clima entre eles é de celebração, com muitos tiros dados para o ar.

Bombardeios da coalizão

O avanço dos rebeldes nos últimos dois dias, com a reconquista de cidades estrategicamente importantes, ocorreu com a ajuda dos bombardeios das forças da coalização ocidental no país, que atuam com autorização do Conselho de Segurança da ONU.

Os ataques debilitaram fortemente as forças de Khadafi nos últimos dias, com a destruição de tanques e armamentos, fazendo com que os insurgentes aproveitassem a fraqueza do inimigo para avançar em suas posições.

O correspondente da BBC na cidade de Benghazi Kevin Connolly afirma que os opositores de Khadafi consideram estas ofensivas posteriores aos bombardeios um modelo estratégico a ser seguido nas próximas localidades que eles pretendem reconquistar.

Neste sábado, a França disse ter destruído pelo menos cinco aviões militares e dois helicópteros do regime de Khadafi na base militar de Misrata, no oeste do país, a única cidade controlada por rebeldes nesta parte da Líbia.

Desde fevereiro, rebeldes tentam por fim aos mais de 40 anos de Khadafi no poder. A retaliação do líder líbio foi violenta e levou a ONU a aprovar a criação de uma zona de exclusão aérea para proteger os civis do país.

Papa Bento XVI

Na manhã deste domingo, o papa Bento XVI pediu diálogo imediato na Líbia, com o objetivo de acabar tanto com o conflito entre as forças pró e contra Khadafi quanto com os bombardeios realizados pelos aliados.

Durante a benção de domingo aos fieis na Praça de São Pedro, no Vaticano, o Papa se disse apreensivo sobre o desenvolvimento dos acontecimentos na Líbia, e afirmou temer pela segurança e pela vida dos civis no país.

Bento XVI pediu que diplomatas de diferentes países atuem para dar início aos diálogos na Líbia. Além disto, o Papa disse estar preocupado com a onda de violência que assola os países do Oriente Médio desde o início do ano.

Segundo o correspondente da BBC em Roma David Willey, o jornal oficial do Vaticano, o Osservatore Romano, criticou a França por ser "apressada" em lançar operações militares contra Khadafi.

O jornal afirma ainda que há "grande confusão" em torno da estratégia a ser usada na Líbia.

Acusação dos EUA

O secretário de Defesa americano, Robert Gates, acusou Khadafi de fabricar provas de que civis estão sendo mortos pelos bombardeios aliados na Líbia.

Em entrevista ao canal de TV CBS, que ainda não foi ao ar, Gates disse que há vários relatos de inteligência indicando que as forças de Khadafi estão coletando corpos de pessoas mortas por elas mesmas e largando-os em locais que foram atacados pela coalizão.

Questionado se os dias de Khadafi no poder estão contados, o secretário respondeu: "eu não estaria pendurando nenhum retrato novo na parede, se eu fosse ele".

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