Líderes internacionais se reúnem em Londres para discutir ação na Líbia

Hillary Clinton, na base Andrews, nos Estados Unidos Direito de imagem AP
Image caption Secretário de Estado dos EUA, Hillary Clinton, participará de encontro

Uma reunião em Londres nesta terça-feira que contará com a presença de delegações de cerca 35 países e de representantes órgãos internacionais irá discutir os próximos passos da ação militar na Líbia.

O primeiro-ministro da Grã-Bretanha, David Cameron, disse esperar que o encontro venha a garantir ''o máximo de unidade política e diplomática''.

Em um comunicado conjunto, a Grã-Bretanha e a França conclamaram correligionários do líder líbio, o coronel Muamar Khadafi, a abandoná-lo ''antes que seja tarde demais''.

No documento, Cameron e o presidente francês, Nicolas Sarkozy, afirmam que a conferência ''irá aproximar a comunidade internacional de modo a dar apoio à transição da Líbia de uma ditadura violenta para criar as condições para que o povo da Líbia possa escolher seu próprio futuro''.

Grã-Bretanha e França foram os defensores mais veementes da implementação de uma ação militar contra as forças leais a Khadafi, que vinham avançando sobre áreas controladas por rebeldes que lutam contra o regime líbio.

No documento, os líderes dos dois países disseram que o governo líbio perdeu toda a sua legitimidade e deve ''partir imediatamente''.

Obama

Na segunda-feira à noite, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, fez um pronunciamento no qual defendeu o envolvimento americano na operação militar internacional.

Ele afirmou que a intervenção americana salvou ''incontáveis vidas'' ameaçadas pelas forças do ''tirano'' Muamar Khadafi.

Mas, ciente de uma parcela expressiva da opinião pública americana vê com receios o envolvimento americano em mais um conflito militar, frisou que os Estados Unidos estavam passando o controle da incursão militar para a aliança militar Otan.

A ação militar americana na Líbia foi autorizada há dez dias – quando Obama estava em Brasília, em visita oficial ao Brasil – e segue uma resolução aprovada pelo Conselho de Segurança da ONU.

A resolução, aprovada sem o voto do Brasil, que se absteve, prevê o estabelecimento de uma zona de exclusão aérea na Líbia e “todas as medidas necessárias” para proteger “civis e áreas habitadas por civis” de ataques por parte das forças de Khadafi.

Participantes

A reunião desta terça em Londres irá reunir integrantes da coalizão que participa da operação militar contra posições de Khadafi, bem como de representantes da ONU, da Otan, da União Africana e da Liga Árabe.

Os países ocidentais esperam que a presença de países árabes como Qatar, Iraque, Jordânia, Marrocos, Líbano, Tunísia e Emirados Árabes vá reforçar a aliança e indicar que países árabes endossam a operação.

Mas a Rússia, que diz que a operação militar vai além dos termos da resolução da ONU que a autorizou, afirmou que não irá participar do encontro.

A conferência irá também discutir o fornecimento de ajuda humanitária.

Direito de imagem BBC World Service
Image caption Rebelde líbio na cidade de Bin Jawad: avanço

Reação

Nos últimos dias, combatentes anti-Khadfai retomaram o controle de cidades que haviam capturado no início da rebelião contra o regime, mas que haviam caído nas mãos de forças do governo.

Entre as cidades retomadas estão áreas estratégicas no litoral do país e que contam com instalações petrolíferas, como Ras Lanuf, Brega, Uqayla e Bin Jawad.

Mas repetidos ataques realizados por tropas leais ao regime impediram-nos de alcançar Sirte, a cidade natal do coronel Khadafi e um alvo de forte simbolismo para os rebeldes.

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