Obama não descarta armar rebeldes na Líbia

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Image caption Segundo Obama, Khadafi está enfraquecido, mas ainda tem força em terra

O presidente americano, Barack Obama, disse nesta terça-feira que o líder líbio, Muamar Khadafi, está "muito enfraquecido", mas ainda tem mais força em terra do que os que lutam para tirá-lo do poder, e não descartou o fornecimento de armas dos Estados Unidos para os rebeldes.

"Não vou especular sobre isso. Acho que é correto dizer que, se quiséssemos enviar armas para dentro da Líbia, nós provavelmente conseguiríamos. Nós estamos considerando todas as opções neste momento", afirmou o presidente, em entrevista à jornalista Diane Sawyer, da rede de TV ABC.

Reunidos em uma conferência em Londres, nesta terça-feira, cerca de 40 enviados dos países-membros da coalizão que realiza a ofensiva militar na Líbia, da Otan, da Liga Árabe e da ONU, prometeram manter a pressão para que Khadafi abandone o poder.

Representando o governo americano, a secretária de Estado, Hillary Clinton, disse que apesar de sanções aprovadas pela ONU proibirem o fornecimento de armas à Líbia, essa proibição não se aplica mais após a resolução 1973, que autorizou a ação militar e prevê o estabelecimento de uma zona de exclusão aérea na Líbia e “todas as medidas necessárias” para proteger “civis e áreas habitadas por civis” de ataques por parte das forças do coronel Khadafi.

"É nossa interpretação que (a resolução do Conselho de Segurança da ONU) 1973 alterou e substituiu a proibição absoluta de armas para a Líbia", disse Hillary.

Ação militar

Obama lembrou que a ação militar aprovada pela ONU - iniciada há 10 dias, sob a liderança dos Estados Unidos - conseguiu instituir uma zona de exclusão aérea na Líbia, impedindo as forças de Khadafi de lançarem ataques aéreos contra os rebeldes. O presidente afirmou ainda que, como o mandato da ONU prevê a proteção de civis, caso o líder líbio tente avançar sobre cidades dominadas pelos rebeldes, como Benghazi, a coalizão também poderá proteger essas populações.

"Ele está muito enfraquecido. Suas forças foram desintegradas", disse.

No entanto, o presidente americano afirmou que as forças de Khadafi ainda são mais poderosas que as dos rebeldes em terra. "O que é absolutamente verdade é que, se você medir sua capacidade remanescente com a dos rebeldes ou da oposição, ele ainda é mais poderoso em solo", afirmou o presidente americano.

Nesta terça-feira, após dias de avanço dos rebeldes, com a ajuda da ação militar da coalizão, as forças de Khadafi intensificaram os ataques e conseguiram retomar o controle uma das cidades mais importantes do país, Bin Jawad.

Papel dos EUA

Obama disse ainda que o círculo próximo ao coronel Khadafi "entende que a corda está apertando". "(Eles sabem) que seus dias provavelmente estão contados e que terão de pensar sobre quais serão seus próximos passos."

A entrevista foi transmitida um dia depois de Obama ter feito um pronunciamento à nação para explicar os motivos que levaram os Estados Unidos a lançar uma ação militar na Líbia e o papel das forças americanas na crise.

Em meio a críticas internas sobre a ação militar, especialmente pela falta de objetivos definidos e de um prazo para o fim das operações, Obama defendeu a operação, que segundo ele salvou um número "incontável" de vidas, mas garantiu que o papel dos Estados Unidos será limitado.

Obama disse que ampliar a operação para forçar a saída de Khadafi do poder seria um erro e afirmou que os Estados Unidos estão transferindo o comando oficial da operação para a Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte).

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