EUA e Grã-Bretanha estudam armar rebeldes na Líbia

Forças rebeldes que lutam contra o governo de Muamar Khadafi celebram tomada de tanque perto da cidade de Ajdbayah (Reuters) Direito de imagem REUTERS
Image caption Segundo Obama, opção de ceder armas não está descartada

Os Estados Unidos e a Grã-Bretanha não descartam fornecer armamento para as forças rebeldes que lutam contra as tropas do líder da Líbia, o coronel Muamar Khadafi.

O primeiro-ministro da Grã-Bretanha, David Cameron, disse que não descartava enviar armas para militantes anti-Khadafi "sob certas circunstâncias".

Na terça-feira, o presidente americano, Barack Obama, havia dito que o líder líbio, Muamar Khadafi, está "muito enfraquecido", mas ainda tem mais força em terra do que os que lutam para tirá-lo do poder, e não descartou o fornecimento de armas por parte dos americanos para os rebeldes.

"Não vou especular sobre isso. Acho que é correto dizer que, se quiséssemos enviar armas para dentro da Líbia, nós provavelmente conseguiríamos. Nós estamos considerando todas as opções neste momento", afirmou o presidente, em entrevista à jornalista Diane Sawyer, da rede de TV ABC.

O secretário-adjunto dos Estados Unidos para Assuntos Europeus, Philip Gordon, afirmou que armar civis líbios seria algo permitido pelos termos da ONU, mas acrescentou que isso não é algo que os países que integram a coalizão que está promovendo a operação militar contra alvos de Khadafi tenham se decidido a fazer.

O ministro das Relações Exteriores da França, Alain Juppé, afirmou que seu país está disposto a manter discussões com seus aliados a respeito da possibilidade de fornecer ajuda militar para o movimento de oposição.

Reunião

Na terça-feira, cerca de 40 enviados dos países-membros da coalizão que realiza a ofensiva militar na Líbia, da Otan, da Liga Árabe e da ONU, se reuniram em Londres e prometeram manter a pressão para que Khadafi abandone o poder.

Representando o governo americano, a secretária de Estado, Hillary Clinton, disse que apesar de sanções aprovadas pela ONU proibirem o fornecimento de armas à Líbia, essa proibição não se aplica mais após a resolução 1973, que autorizou a ação militar e prevê o estabelecimento de uma zona de exclusão aérea na Líbia e “todas as medidas necessárias” para proteger “civis e áreas habitadas por civis” de ataques por parte das forças do coronel Khadafi.

"É nossa interpretação que (a resolução do Conselho de Segurança da ONU) 1973 alterou e substituiu a proibição absoluta de armas para a Líbia", disse Hillary.

Ação militar

Obama lembrou que a ação militar aprovada pela ONU - iniciada há 10 dias, sob a liderança dos Estados Unidos - conseguiu instituir uma zona de exclusão aérea na Líbia, impedindo as forças de Khadafi de lançarem ataques aéreos contra os rebeldes. O presidente afirmou ainda que, como o mandato da ONU prevê a proteção de civis, caso o líder líbio tente avançar sobre cidades dominadas pelos rebeldes, como Benghazi, a coalizão também poderá proteger essas populações.

"Ele está muito enfraquecido. Suas forças foram desintegradas", disse.

No entanto, o presidente americano afirmou que as forças de Khadafi ainda são mais poderosas que as dos rebeldes em terra. "O que é absolutamente verdade é que, se você medir sua capacidade remanescente com a dos rebeldes ou da oposição, ele ainda é mais poderoso em solo", afirmou o presidente americano.

Nesta terça-feira, após dias de avanço dos rebeldes, com a ajuda da ação militar da coalizão, as forças de Khadafi intensificaram os ataques e conseguiram retomar o controle uma das cidades mais importantes do país, Bin Jawad.

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