'Vegans' franceses são acusados de homicídio após morte de filha por desnutrição

Palácio da Justiça de Amiens - Foto: Ministério da Justiça da França/DICOM/C. Montagné Direito de imagem Ministerio da Justica da Franca C. Montagne
Image caption Casal francês pode ser condenado a até 30 anos de prisão

Um casal francês de vegans - que excluem de sua dieta todos os tipos de carnes e proteínas de origem animal - está sendo acusado pela morte de sua filha de 11 meses, em decorrência de deficiências nutricionais.

Sergine Le Moaligou e seu marido Joël podem ser condenados a 30 anos de prisão por privação de alimentos e de cuidados que teriam acarretado a morte de sua filha Louise em março de 2008.

Apesar de ter quase um ano de idade, a criança era alimentada apenas com leite materno.

Diferentemente dos vegetarianos mais comuns, que não consomem carne, mas incluem alguns produtos de origem animal em sua alimentação, os vegans seguem uma dieta mais radical, sem qualquer tipo de carne ou derivados de origem animal, como ovos, leite e mel.

A criança faleceu em casa, no vilarejo de Saint-Maulvis, nos arredores da cidade de Amiens, no norte da França.

Magreza

Ao chegarem ao local, os bombeiros, alarmados com a palidez e a magreza excessiva da criança, chamaram a polícia.

Louise pesava apenas 5,7 quilos - enquanto o peso normal de uma criança com essa idade seria de 8 quilos - e media 67 cm de altura.

A autópsia do corpo revelou carências de vitaminas A e B12. Segundo os especialistas, essa deficiência nutricional aumenta o risco de contrair infecções.

De acordo com os médicos, a criança teria morrido devido à má nutrição e a uma pneumonia que não foi tratada.

"O problema da carência de vitaminas pode estar ligado ao regime alimentar imposto pela mãe", afirmou a vice-procuradora de Amiens, Anne-Laure Sandretto.

O casal possui outra filha, de 13 anos, que não teria sofrido o mesmo tipo de carência alimentar nos primeiros anos de vida.

A filha primogênita era educada em casa desde que um patê de carne foi servido aos alunos no almoço da escola e os pais decidiram cancelar a matrícula da filha.

Restrição alimentar

O advogado da mãe, Stéphane Daquo, disse que Sergine e Joël decidiram abraçar o regime vegan no início dos anos 2000, após terem visto um programa na televisão sobre o transporte de animais aos abatedouros.

O casal não confiava na medicina tradicional e preferia tratar suas filhas com base em informações pesquisadas em livros, ele afirmou.

"Quando ele tinha nove meses e sofria de bronquite e perda de peso, eles não seguiram o conselho do médico, que havia solicitado a hospitalização do bebê; preferiram utilizar receitas à base de cataplasma de argila e de repolho que viram em livros", disse Daquo.

Segundo o jornal Courrier Picard, da região de Amiens, o bebê também não tomava banhos comuns, era lavado com terra e argila.

A decisão do Tribunal Criminal de Amiens deve ser anunciada na sexta-feira.

O casal já cumpriu quatro meses de prisão provisória e está sendo julgado em liberdade.