Assad cria comissão para estudar fim das leis de emergência na Síria

Assad, durante seu discurso televisionado Direito de imagem AFP
Image caption Assad disse que momento representa 'teste de unidade' na Síria

O presidente da Síria, Bashar Al-Assad, anunciou nesta quinta-feira a criação de uma comissão para estudar o possível cancelamento das leis de emergência, em vigor no país desde 1963.

O comitê deve apresentar suas conclusões no dia 25 de abril, de acordo com a agência de notícias Sana.

"Seguindo uma diretriz do presidente Bashar Al-Assad, uma comissão de especialistas em leis foi formada para estudar novas regras para a segurança nacional e antiterrorismo, com o objetivo de pavimentar o caminho para acabar com as leis de emergência", disse a agência.

Assad admitiu a necessidade de reformas, mas disse que elas seriam feitas de acordo com o ritmo determinado por seu governo e não sob pressão.

As leis permitem ao governo deter pessoas sem acusações, restringe encontros públicos e aglomerações e movimentos de pessoas, estão em vigor desde 1963 e são, segundo correspondentes, bastante impopulares.

Complô

O anúncio ocorre um dia depois que Assad prometeu derrotar uma conspiração contra o país, no primeiro discurso desde o início dos protestos na Síria, há duas semanas.

Leia mais na BBC Brasil: Assad diz que derrotará 'complô' contra seu governo

Após o discurso, ocorreram protestos e tiroteios na cidade de Latakia (oeste do país), sem relatos de vítimas.

Manifestantes pretendem organizar mais protestos na sexta-feira. Ocorreram também eventos de apoio a Assad na terça-feira, na capital, Damasco.

Segundo analistas, os protestos se tornaram a maior ameaça ao regime de Assad, que substituiu seu pai, Hafez, após sua morte, em 2000.

A crise começou após a prisão de adolescentes que haviam pintado frases antigoverno em um muro na cidade de Deraa, no sul do país, e se espalhou rapidamente para outras províncias.

Ativistas e grupos de defesa dos direitos humanos afirmam que entre 60 e 130 pessoas morreram nos choques com as Forças de Segurança nas últimas semanas, mas o governo estima o número de mortos em cerca de 30.

Notícias relacionadas