Protesto mata oito funcionários da ONU no Afeganistão

Mazar-el-Sharif/AP Direito de imagem BBC World Service
Image caption A cidade de Mazar-e-Sharif era considerada relativamente tranquila

Pelo menos 12 pessoas, incluindo oito funcionários estrangeiros da ONU, foram mortas nesta sexta-feira no Afeganistão durante ataque a uma instalação da entidade na cidade de Mazar-e-Sharif, de acordo com integrantes do governo.

A violência ocorreu durante protesto por causa da queima de um exemplar do Alcorão em uma igreja americana no mês passado. Várias pessoas protestavam pacificamente na cidade quando o evento se tornou violento.

Os manifestantes gritavam "morte aos Estados Unidos, morte a Israel" após as tradicionais orações de sexta-feira e começaram a atacar a instalação da ONU.

O correspondente da BBC em Cabul Paul Wood disse que Mazar-e-Sharif é considerada uma cidade relativamente tranquila, mas o ocorrido levantará dúvidas sobre se as tropas afegãs já estão prontas para assumir o controle da segurança do país ainda este ano, como previsto.

Estrangeiros

“Três funcionários estrangeiros da nossa missão foram mortos, assim como quatro guardas”, disse o porta-voz da ONU no Afeganistão, Dan McNorton,

O premiê da Suécia, Carl Bildt, confirmou que um dos mortos era o funcionário da ONU sueco Joakim Dungel, de 27 anos.

Entre as vítimas estava também a tenente norueguesa Siri Skare, de 53 anos, que trabalhava como piloto.

Os outros estrangeiros seriam um romeno e quarto guardas nepaleses.

O presidente americano, Barack Obama, condenou os eventos "nos termos mais duros" e disse que o trabalho da ONU no Afeganistão "é essencial para construir um país mais forte para o bem de todos os seus cidadãos".

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, descreveu o episódio como “um ataque ultrajante e covarde”.

Queima

No dia 20 de março, o pastor americano Wayne Sapp colocou fogo em uma cópia do livro sagrado dos muçulmanos em uma igreja da Flórida.

O evento aconteceu na presença de Terry Jones, outro pastor da Flórida que no ano passado foi bastante condenado por seus planos de queimar uma cópia do Alcorão no aniversário dos ataques de 11 de setembro de 2001.

À época, Jones desistiu dos planos, mas, questionado se sentia-se responsável pelos eventos desta sexta-feira no Afeganistão, Jones disse não ser “de forma nenhuma responsável pelas ações".

"Se eles não tivessem usado a queima do Alcorão, teriam encontrado outra desculpa", afirmou.

Protestos contra a queima do livro sagrado dos muçulmanos ocorreram em diversas cidades afegãs, com manifestantes chamando os eventos de "dia de fúria".

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