Batalha por controle da maior cidade marfinense se intensifica

Tropas leais a Ouattara na Costa do Marfim Direito de imagem Reuters
Image caption Confrontos em Abidjan, maior cidade marfinense, já duram três dias

A batalha pelo controle de Abidjan, maior cidade da Costa do Marfim, se acirrou neste sábado, com as forças que apoiam os dois maiores líderes políticos do país disputando o domínio sobre o palácio presidencial e a TV estatal, entre outros prédios públicos.

Segundo testemunhas, houve intensa troca de tiros quando os partidários de Alassane Ouattara, reconhecido internacionalmente como o vencedor da eleição presidencial de novembro passado, cercaram forças leais ao presidente Laurent Gbagbo, que se recusa a deixar o poder.

Foi o terceiro dia consecutivo de violentos confrontos em Abidjan.

Quatro soldados da ONU se feriram gravemente ao longo do dia. Um correspondente da BBC diz que milhões de civis estão presos na cidade, à medida que a disputa se torna imprevisível e caótica.

Testemunhas afirmam ter ouvido tiroteios pesados e bombardeios no centro da cidade, onde os grupos rivais disputam a base militar de Agban.

No entanto, pouco se sabe sobre a situação na cidade. Há informações de que os soldados que guarnecem a base estariam lutando entre si.

O controle da televisão estatal, RTI, parece ter sido recuperado pelos simpatizantes de Gbagbo.

O canal levou ao ar um comunicado lido por um soldado, ao lado de dezenas de integrantes das Forças de Defesa e Segurança (FDS) de Gbagbo, no qual ele convocava tropas de todo o país a defender as instituições do Estado.

Convocação de tropas

"As FDS, no sentido de reafirmar a sua determinação e garantir o seu dever soberano de proteger o povo, a propriedade e as instituições da República da Costa do Marfim", diz a nota, convoca "todo o pessoal das Forças Armadas" a se juntar às cinco unidades baseadas em Abidjan.

Na sexta-feira, os Estados Unidos fizeram um apelo para que o presidente Laurent Gbagbo deixe imediatamente o poder, de modo a evitar o agravamento da situação no país.

"Nos preocupamos com a violência atual e pedimos para que Gbagbo deixe o poder imediatamente", disse o porta-voz do Departamento de Estado americano Mark Toner.

Toner também fez um apelo para que os militares estrangeiros já presentes na Costa do Marfim ajudem a manter a ordem.

Leia mais na BBC Brasil: Relatos de abusos de direitos humanos na Costa do Marfim preocupam ONU

"Pedimos para que a Unoci (missão da ONU na Costa do Marfim), as tropas da ONU e as francesas adotem todas as medidas para a proteção de civis e impeçam qualquer saque", disse ele.

Forças francesas dizem que levaram 500 estrangeiros, inclusive 150 franceses, para um campo militar após terem sido ameaçados por saqueadores em Abidjan.

Apoio

Tropas da ONU e francesas controlam o aeroporto da cidade.

Acredita-se que as forças de Outtara dominem 80% do país. Muitos militares trocaram de lado e passaram a apoiar o presidente reconhecido.

Gbagbo, porém, ainda teria o apoio da Guarda Republicana, das forças especiais e de milícias armadas.

Vários organismos internacionais já pediram que Gbagbo deixe poder, incluindo a ONU, a Ecowas (bloco das nações do oeste da África) e a França.

Desde que a crise começou na Costa do Marfim, a violência forçou o deslocamento de 1 milhão de pessoas e levou à morte de ao menos 473 marfinenses, segundo a ONU.

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