ONU pede investigação de massacre na Costa do Marfim

Soldados leais a Alassane Ouattara Direito de imagem Reuters
Image caption Em Abidjan, dura batalha pelo controle de prédios públicos prossegue

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, pediu a Alassane Ouattara, reconhecido internacionalmente como o vencedor das eleições presidenciais da Costa do Marfim em novembro passado, que investigue as centenas de mortes atribuídas a seus partidários.

Ban se disse “preocupado e alarmado” com os relatos de que partidários de Ouattara, que combatem forças leais ao presidente Laurent Gbagbo, que se recusa a deixar o poder, participaram de um massacre na cidade de Duekoue, no oeste do país. Ouattara nega a responsabilidade de seus soldados.

O correspondente da BBC Andrew Harding diz que funcionários da ONU encontraram centenas de corpos na cidade, onde a situação permanece muito instável. Segundo Harding, a Cruz Vermelha está enterrando dezenas de cadáveres em valas comuns.

Soldados da ONU estão tentando proteger milhares de civis que se abrigaram numa igreja.

Batalha em Abidjan

Enquanto isso, na maior cidade marfinense, Abidjan, uma dura batalha prossegue. No sábado, as forças de Ouattara assumiram o controle da maior parte dos prédios públicos.

O porta-voz da ONU Hamadoun Toure disse à BBC que ouviu tiros perto do palácio presidencial, atualmente dominado por Gbagbo, e que a situação é muito tensa na cidade.

O aeroporto, que vinha sendo dominado por forças da ONU desde sexta-feira, está agora sob controle de soldados franceses, que permitiram sua reabertura.

Segundo relatos, a ONU está evacuando cerca de 200 funcionários de Abidjan.

Mas uma TV pró-Gbagbo pediu aos moradores que se mobilizem contra o que chamou de “ocupação” francesa.

Também há relatos de que as forças de Ouattara planejam atacar o palácio presidencial e estão impondo um toque de recolher na cidade.

Duekoue

A violência em Duekoue ocorreu na semana passada, quando forças leais a Ouattara se moveram para o sul, expulsando tropas de Gbagbo. Ambos os lados acusam o outro pelo massacre.

A ONU disse no sábado que mais de 330 pessoas foram mortas quando as forças de Ouattara assumiram o controle de Duekoue, a maioria nas mãos dos combatentes. No entanto, a organização diz que mais de cem foram mortas por soldados de Gbagbo.

“O secretário-geral expressou preocupação e alarme com os relatos de que as forças pro-Ouattara podem ter matado muitos civis na cidade de Duekoue, no oeste do país”, disse o porta-voz da ONU Martin Nesirky.

Funcionários da ONU ainda estão investigando o caso e dizem que a quantidade de mortos pode ser maior. A agência humanitária Caritas estima que mil pessoas tenham morrido na cidade.

Segundo Nesirky, Ouattara disse que seus partidários não estavam envolvidos, mas afirmou a Ban que ordenou uma investigação sobre as mortes e que aceitaria uma apuração internacional.

Forças francesas

O porta-voz das Forças Armadas francesas Thierry Burkhard disse que o país enviou mais 300 soldados à Costa do Marfim, elevando o total das forças francesas para 1.400.

O objetivo do reforço é “assumir o controle do aeroporto, o que também foi feito em coordenação com a missão da ONU, para permitir a reabertura desse aeroporto para empresas aéreas civis e voos militares”, disse ele à BBC.

Burkhard acrescentou que a missão principal da força permanecia proteger cidadãos franceses, que vinham sendo ameaçados por pilhadores.

“Estamos atualmente vivenciando em Abidjan um vácuo de segurança porque as forças de segurança marfinenses, que até agora seguiam ordens de Gbagbo, responderam em grande medida a convocação do presidente Ouattara”, disse ele.

Não havia planos imediatos para evacuar estrangeiros, disse ele, embora cerca de 1.600 estejam abrigados num campo militar francês.

Eles incluem cerca de 700 franceses, 600 libaneses e 60 europeus de várias nacionalidades, segundo a imprensa francesa.

Acredita-se que as forças de Outtara dominem 80% do país. Muitos militares trocaram de lado e passaram a apoiar o presidente reconhecido.

Gbagbo, porém, ainda teria o apoio da Guarda Republicana, das forças especiais e de milícias armadas.

Vários organismos internacionais já pediram que Gbagbo deixe poder, incluindo a ONU, a Ecowas (bloco das nações do oeste da África) e a França.

Desde que a crise começou na Costa do Marfim, a violência forçou o deslocamento de 1 milhão de pessoas, segundo a ONU.

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