Nigéria adia eleições mais uma vez

Attahiru Jega
Image caption Chefe da comissão eleitoral diz que país teve 'problemas organizacionais'

A comissão eleitoral da Nigéria anunciou neste domingo que as eleições no país serão adiadas mais uma vez.

País mais populoso da África, a Nigéria iniciaria no último sábado o primeiro de três sábados de eleições, mas “problemas de organização” alegados pela comissão eleitoral fizeram com que o pleito fosse adiado para a próxima segunda-feira.

Agora, no entanto, a comissão diz que a eleição para parlamentares só ocorrerá em 9 de abril, ao passo que o pleito para presidente e governadores ocorrerão nas semanas seguintes.

No sábado, a decisão de adiar as eleições irritou milhares de pessoas já se preparavam para votar, sob forte aparato de segurança, em cidades como Kano e a capital, Lagos.

De acordo com a correspondente da BBC no país, Caroline Duffield, acredita-se que aviões que transportavam as cédulas eleitorais para a Nigéria tenham sido desviados do espaço aéreo nigeriano.

"É um golpe duro à credibilidade da comissão eleitoral da Nigéria, que deveria estar organizando uma votação justa e estável, mas em vários Estados não conseguiu distribuir material eleitoral básico", afirmou Duffield.

Apelos por paz

Cerca de 73 milhões de eleitores devem comparecer às urnas para eleger o novo Parlamento, o novo presidente e governadores de 36 Estados.

O clima de instabilidade em que o país está afundado já tinha levado diversos políticos a fazerem apelos pela paz.

A Anistia Internacional afirmou que pelo menos 20 pessoas morreram em ataques e confrontos relacionados às eleições nas últimas semanas.

Na sexta-feira, uma bomba explodiu na delegacia da cidade de Bauchi, mas ninguém ficou ferido. O objetivo do atentado teria sido apenas causar pânico.

A polícia da região do delta do rio Níger afirmou ter detido dois homens que conduziam um micro-ônibus carregado com rifles, munição e um lança-foguetes.

Eleições anteriores

Essas são as terceiras eleições nacionais na Nigéria desde o fim do governo militar do país, em 1999.

As duas últimas, em 2003 e 2007, foram marcadas por acusações de fraudes nas urnas, intimidação de eleitores e violência.

As forças de segurança oficiais também foram acusadas de apoiar o Partido Democrático Popular (PDP), que domina a política nigeriana desde a volta dos civis ao poder.

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