Grã-Bretanha dará 'equipamentos não-letais' a rebeldes líbios

Criança em veículo durante fuga da cidade de Brega Direito de imagem AP
Image caption Equipamentos terão uso 'humanitário e de telecomunicações' na Líbia

O ministro das Relações Exteriores britânico, William Hague, disse nesta segunda-feira que a Grã-Bretanha deve fornecer “equipamentos não-letais” aos rebeldes líbios que combatem o regime de Muamar Khadafi.

Em discurso no Parlamento em Londres, o ministro disse que os equipamentos seriam relacionados às telecomunicações, à proteção de civis e à ajuda humanitária. Mas Hague agregou que não há planos de enviar armas aos rebeldes.

O fornecimento de armas e o treinamento de rebeldes líbios têm sido temas de debate e especulações em meio à ofensiva internacional contra as tropas de Khadafi.

A hipótese não foi descartada pela Grã-Bretanha nem pelos EUA, ao mesmo tempo em que analistas advertiram para os riscos da ideia.

Nesta segunda-feira, o Conselho Nacional de Transição, que reúne os grupos rebeldes, fez um apelo à Otan (que vem coordenando as ações militares estrangeiras na Líbia) para que realize novos bombardeios e pediu que governos estrangeiros enviem armamentos e deem treinamento militar aos opositores.

O correspondente da BBC na Líbia Wyre Davies diz que, apesar de avanços recentes, os rebeldes continuam mal equipados e treinados.

Há relatos de que os oposicionistas voltaram a avançar rumo à cidade de Brega (leste do país), que está nas mãos das forças de Khadafi.

Koussa

Hague disse também nesta segunda-feira que uma nova conferência internacional sobre a Líbia será realizada no Catar na próxima semana, reunindo os atores políticos por trás da coalizão internacional que está promovendo a ofensiva contra Khadafi.

O chanceler falou também sobre o ex-chanceler líbio Moussa Koussa, que desertou do regime de Muamar Khadafi na semana passada, se exilou na Grã-Bretanha.

Hague disse que o governo britânico pedirá a Koussa que coopere com as investigações do atentado contra o voo da Pan Am sobre a cidade escocesa de Lockerbie, em 1988, que deixou 270 mortos.

Acredita-se que Koussa tenha tido um papel importante na inteligência líbia à época do atentado.

Hague diz que ele não está em prisão domiciliar, mas que está sendo questionado em um “lugar seguro”. Também disse que ele não receberá imunidade em troca de colaboração com as autoridades e instou outros colaboradores de Khadafi a abandonar o regime.

Reconhecimento da Itália

Em outros desdobramentos políticos da crise no país norte-africano, a Itália reconheceu nesta segunda-feira o conselho nacional interino dos rebeldes líbios como o representante legítimo do povo líbio. Passo semelhante já havia sido dado pela França e pelo Catar.

Leia mais na BBC Brasil: Itália reconhece rebeldes como governo legítimo da Líbia

E um enviado de Khadafi, Abdul-Ati A-Obeidi, chegou nesta segunda na Turquia, depois de dizer que o regime quer encerrar o conflito armado no país.

Obeidi é um dos mais antigos ministros de Khadafi e também esteve na Grécia, para encontros com o premiê George Papandreou.

Um porta-voz dos rebeldes disse que eles não aceitariam nenhuma transição na Líbia em que o poder fosse transferido a um dos filhos de Khadafi. A possibilidade foi sugerida pelo jornal americano The New York Times no último domingo.

Notícias relacionadas