Itália reconhece rebeldes como governo legítimo da Líbia

O ministro das Relações Exteriores, Franco Frattini, cumprimenta o porta-voz dos rebeldes líbios, Ali Al-Isawi. Direito de imagem Reuters
Image caption Itália é o segundo país europeu a reconhecer oficialmente os rebeldes

A Itália reconheceu o conselho nacional interino dos rebeldes líbios como o representante legítimo do povo da Líbia.

Após uma conversa com um representante dos rebeldes, Ali Al-Isawi, nesta segunda-feira, o ministro das Relações Exteriores italiano, Franco Frattini, disse que seu país abriria formalmente uma missão diplomática na cidade de Benghazi, bastião rebelde a leste do país.

"Consideramos que o regime de Trípoli não tem futuro na Líbia. Ele perdeu credibilidade e legitimidade. Ninguém no mundo considera o regime de Trípoli um possível interlocutor no presente e no futuro", disse Frattini.

No último mês, a França se tornou o primeiro país ocidental a reconhecer o conselho rebelde, seguida pelo Catar.

O anúncio da Itália acontece em meio aos confrontos entre os rebeldes e as forças pró-Khadafi na cidade de Brega, a leste de Benghazi. Os rebeldes tentam recuperar o território que perderam para as forças de Khadafi no último domingo.

O correspondente da BBC em Brega, Wyre Davies, diz que as forças de oposição parecem mais esperançosas e organizadas do que nos últimos dias, quando foramforçadas a recuar pelas tropas de Khadafi.

Avanço

Nesta segunda-feira, os combates entre as forças pró-Khadafi e os rebeldes continuam próximos à Universidade de Brega.

Segundo Davies, os rebeldes avançam rumo à cidade, encorajados pela crescente presença de soldados que deixaram o exército de Khadafi e aderiram às forças de oposição.

No entanto, o correspondente diz que os rebeldes permanecem mal treinados e equipados e que, ainda que eles consigam tomar Brega, não há perspectivas realistas de um avanço para Trípoli.

O Conselho Nacional de Transição, que reúne os grupos rebeldes, fez um apelo à Otan (aliança militar ocidental, que vem coordenando as ações militares na Líbia) por novos bombardeios e pediu que governos estrangeiros enviem armamentos e deem treinamento militar aos opositores.

O eventual envio de armamento aos rebeldes é tema de discussão pela coalizão internacional que está promovendo a ofensiva na Líbia.

O conselho de transição disse também que combatentes rebeldes que disparavam para o ar por falta de disciplina podem ter provocado o ataque da Otan que deixou ao menos 13 pessoas mortas na sexta-feira.

Comandantes militares rebeldes disseram à BBC que querem mais profissionalismo de suas forças. Bloqueios foram estabelecidos para garantir que apenas soldados com treinamento sigam para os combates.

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Image caption Forças rebeldes avançam para a cidade de Brega, a oeste do país

Um porta-voz dos rebeldes disse que eles não aceitariam nenhuma transição na Líbia em que o poder fosse transferido a um dos filhos de Khadafi. A possibilidade foi sugerida pelo jornal americano The New York Times no último domingo.

Ataques

Também no domingo, o vice-chanceler da Líbia, Abdul Ati al-Obeidi, em encontro com o primeiro-ministro da Grécia, em Atenas, disse que Khadafi deseja negociar um fim aos confrontos armados no país.

O enviado líbio, que nesta segunda-feira vai também a Turquia e Malta, havia afirmado na sexta-feira que o governo de Khadafi estaria tentando contatos com autoridades de Estados Unidos, Grã-Bretanha e França para negociar um fim aos ataques aéreos internacionais.

As ações da coalizão internacional, iniciadas no dia 19 de março, têm como objetivo impor a resolução do Conselho de Segurança da ONU que estabeleceu uma zona de exclusão aérea no país para proteger os civis de ataques das forças pró-Khadafi.

Apesar das afirmações do vice-chanceler, aumentam as evidências de que as forças leais a Khadafi seguem atacando áreas civis em Misrata, a terceira maior cidade do país. Relatos ainda não confirmados dos rebeldes dão conta que o exército líbio está bombardeando a cidade nesta segunda-feira.

No último domingo, um navio turco em missão humanitária chegou a Benghazi, segunda maior cidade da Líbia e principal base da oposição a Khadafi, levando 250 pessoas feridas retiradas de Misrata, no oeste do país.

Médicos a bordo do navio disseram que muitas das pessoas tinham ferimentos graves.

Interrogatório

Nesta segunda-feira, o ex-ministro das Relações Exteriores da Líbia, Moussa Koussa, que na semana passada se exilou na Grã-Bretanha, deverá ser interrogado.

A polícia quer questioná-lo sobre o atentado a bomba contra o avião da Pan Am que explodiu sobre a cidade escocesa de Lockerbie, em 1988, provocando a morte de 270 pessoas.

A Líbia assumiu sua responsabilidade pelo atentado em 2003, como parte do processo de reabilitação do país diante da comunidade internacional.

Koussa era um alto membro dos serviços de inteligência da Líbia na época do atentado.

O governo britânico afirmou que nenhum acordo foi feito para dar imunidade a Koussa em troca de informações.

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