FMI auxilia Argentina a criar novo índice para medir inflação

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Image caption Índice atual é questionado pela oposição e por economistas

Uma missão do Fundo Monetário Internacional (FMI) chegou nesta segunda-feira na Argentina para assessorar a criação de uma nova metodologia para medir o índice de preços no país.

A parceria ocorre justamente em um momento no qual, segundo pesquisas de opinião, a inflação é uma das maiores preocupações dos argentinos.

Técnicos do FMI já se reuniram, em Buenos Aires, com diretores do Instituto Nacional de Estatísticas e Censos (Indec) para auxiliar na formação de um novo Índice de Preços ao Consumidor (IPC) do país.

“A missão do FMI planeja deixar um estudo com as autoridades (locais) que incluirá recomendações especificas sobre o desenho e metodologia para o desenvolvimento de um novo índice de preços ao consumidor”, disse o diretor do Departamento do Hemisfério Ocidental do FMI, Nicolás Eyzaguirre.

A expectativa, de acordo com a imprensa local, é a de que o documento deverá ser entregue às autoridades argentinas no fim deste mês ou início de maio.

Os técnicos do FMI ficarão na Argentina durante uma semana, de acordo com a agência oficial de notícias, Telam.

Território nacional

Após reunião em Buenos Aires, os técnicos embarcaram para províncias do interior do país, como Mendoza, no centro, e Jujuy, no norte.

Isso porque o atual IPC argentino mede os preços da capital federal, Buenos Aires, e seus arredores, e não de todo o território nacional.

“Contar com um IPC nacional é um desejo antigo do Indec”, disse Norberto Itzcovich, do Instituto.

Segundo ele, foi para “atingir este objetivo” que foi pedida “assistência” dos especialistas do Fundo. Este índice oficial está entre os mais questionados pela oposição e economistas argentinos.

Há vários meses os resultados oficiais da inflação têm gerado polemica no país.

Recentemente, a Secretaria de Comércio Interior, que integra o governo nacional, multou consultorias privadas que divulgaram inflação superior à que tinha sido concluída pelo Indec.

As multas foram de cerca de 500 mil pesos (cerca de R$ 250 mil) para cada uma delas. Pelos dados oficiais, a inflação foi de 10,9% em 2010. De acordo com consultorias privadas, o indicador teria ficado entre 20% e 25%.

“Em geral, quase todas as consultorias concordam com o índice de inflação acima de 20%, o que reforça nossa credibilidade e não a do Indec”, disse o economista Carlos Melconian, em entrevistas a rádios locais.

Nesta segunda-feira, empregados do INDEC distribuíram comunicado contra a “intervenção do FMI” e do “governo” no organismo oficial de estatísticas. No texto, eles informam ainda que junto com a Central de Trabalhadores Argentinos (CTA), à qual são ligados, realizarão protesto com o mesmo fim nesta terça-feira.

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