Carioca compra vestido de noiva em NY e faz enxoval 'via San Diego'

Marcella Rondinelli (esquerda) Direito de imagem BBC World Service
Image caption Marcella (esquerda) diz que passou a comprar menos no Brasil

A jornalista carioca Marcella Rondinelli, de 29 anos, chegou a Nova York cheia de dicas de amigas em uma viagem recente aos Estados Unidos. No roteiro, lojas de vestido de noiva e os horários devidamente agendados. Voltou com o vestido na mala, já ajustado às suas medidas.

“Vale muito a pena. Aqui, o primeiro aluguel de um vestido de noiva custa R$ 6 mil. Lá, paguei US$ 2 mil (R$ 3,2 mil, pelo câmbio atual) pelo meu vestido novo, já com ajuste”, conta Marcella, que se casa em maio.

Com o dólar baixo e os tributos de importação altos, fazer compras no exterior é uma das prioridades de férias de muitos turistas brasileiros – quando não o primeiro motivo para a viagem.

Leia também na BBC Brasil: Dólar baixo e inflação impulsionam viagens de compras ao exterior

Marcella Rondinelli conta que não espera nem viajar para fazer compras nos Estados Unidos. Como a irmã mora em San Diego, Califórnia, costuma fazer encomendas online e pede para que sejam entregues na casa dela. Quando um parente ou amigo visita a irmã, busca as encomendas de Marcella.

“Fiz meu enxoval todo assim. Meu pai foi há pouco tempo e trouxe uma máquina de café, roupa de cama, panela de fondue. Minha prima veio agora e trouxe um jogo de jantar na mala. Não compro nada no Brasil”, conta.

Bagagem de mão

A advogada Mariana Rodrigues Soares, de 26 anos, também foi a Nova York em março apenas para comprar seu vestido de noiva e parte do enxoval.

“Trouxe na mala de mão, não tive coragem de despachar”, diz ela, que se casa em outubro e chegou ao Rio com um modelo da estilista Vera Wang na semana passada.

A também advogada Maria Claudia Villano, de 31 anos, passou dez dias na Flórida em fevereiro com o marido, a mãe e a irmã para montar o enxoval de Joaquim – seu primeiro filho, que deve nascer em maio.

“Fui só para fazer as compras. Foi a viagem mais fútil que já fiz na vida inteira”, brinca Maria Claudia. “Foram dez dias indo ao shopping direto, mas tinha que dar conta de comprar tudo.”

A família comprou as passagens com milhas acumuladas e ficou na casa de um amigo em Boca Ratón, perto de Miami. “Ele ainda nos emprestou o carro, então foi gasto zero”, diz a advogada. As economias foram todas para as compras: o gasto final foi de US$ 2,2 mil (R$ 3.550).

Maria Claudia não sabe ao certo quanto tudo custaria no Brasil, mas calcula que o gasto seria maior. “A bombinha de tirar leite custa R$ 800 aqui, e lá eu paguei US$ 150 (R$ 242). O carrinho custou US$ 400 (R$ 645), e um similar aqui custa R$ 5 mil”, exemplifica. “Lá as coisas são muito mais baratas, e a qualidade ainda é bem melhor”, acrescenta.

Impostos

O argumento em comum para todos que apelam para compras no exterior é o preço. O advogado Bruno Moreira, de 30 anos, por exemplo, diz que só compra itens como tênis, ternos ou computador quando vai aos Estados Unidos.

Neste ano, Moreira esteve em San Francisco e gastou cerca de US$ 6 mil (quase R$ 10 mil) em ternos, camisas sociais, um notebook, uma máquina fotográfica, acessórios para o celular e games.

“Aqui, eu teria que gastar pelo menos R$ 20 mil para comprar o que comprei lá”, estima o advogado.

Moreira compara: o terno custou US$ 380 (R$ 615), mas aqui custaria quase R$ 3 mil. O notebook custou US$ 1,1 mil (quase R$ 1,8 mil), mas aqui custaria R$ 4,5 mil. Ele conta que pagou os impostos que incidem sobre computadores, mas ainda assim gastou menos.

Apesar do recente aumento do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) para gastos com o cartão de crédito no exterior, o advogado avalia que ainda vale mais a pena sair do país para fazer compras.

Direito de imagem BBC World Service
Image caption Maria Claudia calcula que gastaria mais no Brasil

“O imposto no Brasil é muito alto. Agora, com o dólar ainda mais barato, vai ser a morte para o pessoal daqui. Você compra a passagem, vai para lá, tem os gastos da viagem e ainda assim gasta menos que comprando aqui”, diz Moreira.

Alfândega

De acordo com a Receita Federal, brasileiros podem entrar no país com produtos no valor de até US$ 500 por via aérea, mas produtos que se enquadram como bens de uso e consumo pessoal (como roupas, livros e uma cota de bens para presente) são isentos de tributação.

A Receita define bens de uso pessoal como “artigos de vestuário, higiene e demais bens de caráter manifestamente pessoal, em natureza e quantidade compatíveis com as circunstâncias da viagem”.

Desde o ano passado, produtos como máquinas fotográficas, aparelhos de mp3 e relógios podem ser incluídos na definição, desde que já tenham sido usados ao menos uma vez e sejam a única unidade na bagagem.

Já computadores e câmeras de vídeo não podem se enquadrar na categoria. Sobre esses aparelhos, incide automaticamente o imposto de 50% que recai também sobre os produtos que excedem os US$ 500.

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