Chineses dizem que mundo não precisa temer ascensão do país

Feira de rua em Pequim (Foto: Silvia Salek/BBC Brasil) Direito de imagem BBC World Service
Image caption Alguns chineses dizem não sentir avanço econômico do país

Chineses ouvidos pela BBC Brasil em Pequim acreditam que não há motivos para o mundo temer a rápida ascensão do país no cenário global.

Nie Zhicai, de 22 anos, trabalha como vendedor após ter abandonado a faculdade. Para ele, perde tempo quem fica preocupado com isso.

“O símbolo dos Estados Unidos é uma águia. O da Rússia é um urso. O símbolo da nova China é o panda. Somos uma nação panda, pacífica, não queremos problema com ninguém”, brincou o jovem.

Nie conversou com a reportagem enquanto fazia poses diante de uma obra de arte em uma fábrica de armamentos transformada em centro cultural em Pequim, juntamente com ex-colegas de escola secundária.

Ele e os amigos, que são da província de Hebei (nordeste do país), disseram não ter sentido o impacto do que chamaram de recente “salto adiante da China".

“É natural que a China ganhe a projeção atual. Veja a nossa história. O Japão não tem mais como competir conosco. Mas, na prática, isso não tem nada a ver com a gente”, disse Nie.

Um de seus amigos, Wang Zerlong, de 22 anos, formado em turismo, também vê com olhos críticos as recentes conquistas do país.

“O que significa esse crescimento econômico todo? PIB não traz felicidade. Viramos mais capitalistas do que os capitalistas. Na Europa, sabem valorizar o ser humano, há um Estado de bem-estar social. E aqui? Antes de ser líder, a China ainda tem muito a aprender com o mundo”, disse.

Leia mais na BBC Brasil: China não está preparada para liderança global, diz acadêmico chinês

Holofotes

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Image caption Para aposentada, o padrão de vida dos chineses precisa melhorar

Em uma feira livre no centro da capital, uma contadora aposentada de 64 anos, que preferiu se identificar apenas como Mou, disse que “o crescimento botou a china sob os holofotes e que querem agora que o país se pronuncie, se posicione”.

“Estão querendo impor esse papel de líder à China. É inevitável depois de um certo tempo, mas deixe-nos resolver nosso principal problema primeiro: a melhoria do padrão de vida da população”, disse.

A comerciante Zhang Danfeng, de 25 anos, lembrou de uma história que aprendeu na escola para lançar sua teoria. “A China nunca invadiu um país sem antes ser invadida. Se ninguém nos atacar, por que atacaríamos alguém? O chinês não é um povo de guerra”, disse.

Um economista, que preferiu não se identificar, disse crer que à China interessa manter a paz.

“Quanto mais o país cresce e quanto mais os interesses se alastram pelo mundo, menos a China pode ter interesse em conflitos. A China, cada vez mais, vai querer estabilidade para seus interesses econômicos não serem prejudicados.”

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