Filha de Fujimori aposta em legado do pai para avançar em eleições no Peru

Keiko Fujimori durante comício na última quarta-feira Direito de imagem Reuters (audio)
Image caption Candidata baseou sua campanha na defesa do governo Fujimori

A candidata presidencial conservadora Keiko Fujimori aposta no polêmico legado do pai, o ex-presidente Alberto Fujimori, para se tornar a primeira mulher presidente do Peru.

Keiko é uma dos três candidatos que brigam para chegar ao segundo turno das eleições presidenciais deste domingo, ao lado do ex-presidente Alejandro Toledo e do ex-ministro de Economia Pedro Pablo Kuczynski.

O líder das pesquisas de intenção de voto é Ollanta Humala (centro-esquerda), que tem a vaga no segundo turno praticamente garantida.

Candidata pelo partido Fuerza 2011, Keiko baseou sua campanha na defesa do projeto do pai - cujo governo foi marcado por violações de direitos humanos e escândalos de corrupção.

Keiko mantém um "núcleo duro" de apoio popular estimado em 20% das intenções de voto. De acordo com o Instituto de Opinião Pública (IOP) da Universidade Católica do Peru, um em cada cinco peruanos apoia Keiko ou o fujimorismo.

"Essa é a base de apoio herdada do pai, quem fez um governo paternalista, relativamente bom em termos econômicos e nefasto no campo democrático", afirmou à BBC Brasil o analista político peruano Fernando Villáran.

Já Keiko afirmou que o governo de Fujimori foi o responsável pelo "fim do terrorismo" e por abrir caminho para a atual estabilidade econômica do país.

A política conservadora, hoje com 35 anos, participou ativamente do governo de Fujimori. Assumiu o papel de primeira-dama do país aos 19 anos, durante seis anos, período em que dirigiu uma fundação infantil.

Eleita senadora, em 2006, Keiko prometeu durante a corrida presidencial mais segurança, redução da pobreza - que afeta pelo menos um terço da população - e estabilidade aos peruanos.

‘Retrocesso’

Para o sociólogo David Sulmont, da Universidade Católica do Peru, o regresso do "fujimorismo" ao poder seria um "retrocesso democrático" e abriria caminho à polarização e perseguição política.

"Muitos personagens que estão ao lado da candidata, são pessoas que acompanharam o governo Fujimori até o último momento", afirmou Sulmont à BBC Brasil. "Seria uma derrota moral e política para os setores da sociedade que lutaram contra a ditadura de Fujimori.”

Analistas consideram que entre os projetos políticos de Keiko está a libertação de seu pai, condenado a 25 anos de prisão pela morte de 25 pessoas e por outras violações de direitos humanos durante seu governo.

Keiko disse que não intervirá para libertação do ex-presidente. "A sentença contra meu pai é injusta, mas respeitamos a decisão do Poder Judicial."

Na última semana de campanha, os adversários de Keiko não deixaram passar em branco a data do autogolpe de Fujimori, em 5 de abril de 1992, quando o ex-presidente dissolveu à força o Congresso Nacional, acusando o Parlamento de bloquear um conjunto de leis econômicas e de combate à guerrilha.

"Nunca mais um 5 de abril no Peru. A democracia que defendemos ontem, devemos preservá-la agora", escreveu Alejandro Toledo em seu perfil no Twitter.

Keiko tentou, durante a campanha desvincular-se dos escândalos da era Fujimori ao acusar Vladimiro Montesinos - assessor e braço direito do ex-presidente - como o principal responsável pelos crimes de violação de direitos humanos e corrupção. Em 2006, Montesinos foi condenado a 20 anos de prisão, acusado corrupção e assassinatos.

No campo econômico, a filha de Fujimori representa a continuidade das políticas adotadas pelo atual governo de Alan García, com incentivo a investimentos estrangeiros e ao livre comércio.

Se chegar ao segundo turno, Keiko e Humala, favorito para vencer o primeiro turno, disputariam o voto dos setores populares, nos quais se insere a maioria da população peruana.

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