União Europeia discute pedido de ajuda de Portugal

O primeiro-ministro José Sócrates (Arquivo/AFP) Direito de imagem AFP
Image caption Sócrates: crise econômica e o governo em colapso

Os ministros de Finanças da União Europeia discutirão nesta quinta-feira em Budapeste, na Hungria, um pacote de resgate a Portugal, depois que o primeiro-ministro português, José Sócrates, foi à TV anunciar que pediria ajuda financeira ao bloco.

O presidente da Comissão Europeia, o português José Manuel Barroso, afirmou em um comunicado que o pedido de Portugal será processado “da maneira mais rápida possível, de acordo com as normas aplicáveis”.

Barroso também expressou “confiança na capacidade de Portugal de superar as dificuldades atuais, com a solidariedade de seus parceiros”.

Ainda não se sabe qual seria o valor de uma ajuda da UE ao país ibérico, mas o editor de economia da BBC Robert Peston estima que o pacote poderia chegar a 80 bilhões de euros (cerca de R$ 180 bilhões).

Na quarta-feira à noite, o premiê José Sócrates anunciou que Portugal estava recorrendo à ajuda europeia, em discurso transmitido pela TV em rede nacional.

Sócrates não especificou qual é o volume da ajuda que está sendo negociado, nem de que caixa da UE viria o dinheiro. Limitou-se a garantir que buscará as condições menos difíceis para os portugueses.

Portugal é o terceiro país da União Europeia, depois de Grécia e Irlanda, a pedir ajuda ao bloco.

“Estou firmemente convencido, depois de avaliadas todas as alternativas, que a situação tenderá a agravar-se ainda mais se nada for feito”, disse o premiê.

Leia mais na BBC Brasil: Portugal pede ajuda financeira à União Europeia

<b>Aumento de juros</b>

A situação de Portugal e de outros países europeus endividados deve ficar ainda mais complicada se Banco Central Europeu (BCE) confirmar as expectativas dos analistas e elevar, em até um ponto percentual, a taxa de juros nesta quinta-feira.

O presidente da autoridade monetária, Jean-Claude Trichet, deve fazer um comentário a respeito das dificuldades desses países em sua entrevista coletiva após o anúncio da decisão.

Desde o inicio da crise europeia, os custos de empréstimo de Portugal têm se elevado sensivelmente.

Na quarta-feira, o país emitiu 1 bilhão de euros (cerca de R$ 2,3 bilhões) em títulos para rolar sua dívida a um custo muito mais elevado que um mês atrás.

Os juros a serem pagos sobre os títulos de seis meses e um ano serão, respectivamente, de 5,1% e 5,9%, comparado a taxas de 3% e 4% no mês passado.

Agências de classificação de risco já rebaixaram diversas vezes os títulos soberanos e das principais instituições financeira portuguesas.

A crise econômica teve consequências políticas. Em 23 de março, o parlamento português rejeitou um pacote de medidas de restrição de gastos proposto pelo governo.

A derrota levou à renúncia do primeiro-ministro José Sócrates, que no entanto permanecerá no poder até as próximas eleições com poderes limitados de decisão de governo.

O principal partido de oposição, o PSD, disse que não está disposto a submeter o povo português a mais sacrifícios e apoiou o pedido de ajuda à União Europeia.

<b>Espanha</b>

Os desdobramentos em Portugal são acompanhados de perto pela Espanha, país com o maior nível de desemprego da União Europeia e severamente atingido pela queda no preço dos imóveis.

Entretanto, a ministra espanhola da Economia, Elena Salgado, descartou o risco de contágio na península e sustentou que os investidores são perfeitamente capazes de distinguir entre a situação econômica na Espanha e em Portugal.

Madri afirmou que não seguirá o exemplo de outros países europeus endividados, que pediram ajuda ao bloco.

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