Choques entre governo e oposição deixam ao menos 5 mortos no Iêmen

Manifestantes contra o governo do Iêmen em Taez (Reuters) Direito de imagem BBC World Service
Image caption Iêmen tem vivido uma série de protestos contra o governo

Ao menos cinco pessoas morreram no Iêmen devido a choques entre forças de segurança do governo e membros da oposição.

Na cidade de Taez, ao sul da capital Sanaa, houve confrontos entre as forças de segurança do país e manifestantes anti-governo.

Um médico na cidade informou à BBC que dezenas de pessoas chegaram ao hospital local com ferimentos a bala ou sofrendo os efeitos de gás lacrimogêneo.

"Outros foram atacados com tijolos", disse o médico.

De acordo com a correspondente da BBC no país, que não foi identificada por motivos de segurança, atiradores em roupas civis foram vistos disparando de cima dos telhados em direção aos manifestantes na praça Tahrir.

Já em Sanaa, pelo menos três pessoas morreram em confrontos ocorridos entre membros de tribos leais ao presidente Ali Abdullah Saleh e soldados que apoiam os manifestantes de oposição.

Ainda não se sabe exatamente o que motivou o tiroteio em Sanaa, mas há informações de que veículos que levavam membros de uma tribo foram até o quartel-general de uma divisão rebelada do Exército.

Vários relatos sugerem que os manifestantes anti-governo se reuniram em volta do local onde estavam os soldados. Em algum momento o tiroteio começou, mas ainda não está claro quem disparou primeiro.

Mais de cem pessoas morreram em protestos desde que as manifestações contra o governo iemenita começaram, em fevereiro.

Os manifestantes pedem a renúncia do presidente Ali Abdullah Saleh, que governa o país há 32 anos.

Proposta rejeitada

Os novos confrontos ocorrem em um momento em que Saleh rejeitou a proposta de mediação feita por países árabes, numa tentativa de resolver a crise no país.

A coalizão de oposição Fórum Comum (que inclui os cinco maiores grupos de oposição do Iêmen) apresentou um plano para Saleh entregar o cargo.

Entre os pontos principais do plano estão a renúncia de Saleh e a entrega do cargo para o vice-presidente Abdu Rabu Hadi. o projeto inclui também um anúncio de Hadi para a reestruturação das forças de segurança, um governo interino, baseado em um plano de reconciliação nacional, e uma nova comissão eleitoral.

Na teoria, Saleh teria concordado em renunciar à Presidência, mas o governo e a oposição não conseguiram chegar a um acordo sobre os termos de sua renúncia.

Então, Arábia Saudita, Omã e Catar se ofereceram para mediar a negociação.

Mas, nesta sexta-feira, Saleh rejeitou o plano e, falando para milhares de partidários em Sanaa, criticou o que ele chamou de interferência de outros países.

Os Estados Unidos têm sido um aliado importante de Saleh, mas analistas agora afirmam que o governo americano parece estar perdendo a paciência com o líder iemenita.

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