Oriente médio

Otan se desculpa por morte de civis na Líbia

Líbia, 8 de abril/AFP

Milhares de pessoas foram aos funerais dos civis mortos pela Otan

O secretário-geral da Otan, Anders Fogh Rasmussen, lamentou nesta sexta-feira o bombardeio que matou pelo menos quatro opositores do regime líbio de Muamar Khadafi na véspera.

"Esse foi um incidente muito infeliz. Eu lamento muito a perda de vidas", disse Rasmussen a respeito do bombardeio contra um tanque dos rebeldes nas proximidades da cidade de Ajdabiya, no leste da Líbia.

Pouco antes, outro porta-voz da Otan havia dito que a aliança ocidental não se desculparia pelo incidente.

"Nossa missão (na ofensiva aérea na Líbia) é proteger civis. No passado, foram usados tanques para atingir diretamente os civis. Não estou me desculpando", disse o subcomandante da entidade na Líbia, o britânico Russell Harding. "Até ontem, não tínhamos informações de que forças oposicionistas usavam tanques."

Contradição

Mas as declarações de Harding contradizem a versão de um líder rebelde, que afirmou ter comunicado para a Otan as coordenadas exatas de onde passaria seu comboio de tanques.

O general Abdelfatah Yunis solicitou à Otan um pedido de desculpas pelas mortes, embora tenha ressaltado que o incidente não prejudicaria as relações dos insurgentes com a aliança.

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Tocar com outro programa

Pouco depois das declarações de Harding, o chanceler britânico, William Hague, disse que acreditar que "devemos nos desculpar quando ocorre um erro. Se morrem pessoas que não estão atacando civis, obviamente ocorreu um erro".

O bombardeio sobre as tropas rebeldes foi o terceiro incidente de fogo amigo ocorrido desde que a Otan assumiu as operações na Líbia - antes conduzidas por uma coalizão internacional -, há uma semana. Pelo menos 20 civis morreram nesses incidentes anteriores.

O correspondente da BBC em Trípoli Wyre Davies diz que a Otan enfrenta uma encruzilhada na Líbia: é cobrada, ao mesmo tempo, por cautela para evitar atingir civis e por uma ofensiva mais contundente contra o regime líbio. "Há apenas dois dias, os líderes rebeldes haviam pedido à aliança que aumentasse seus ataques aéreos não só contra as tropas de Khadafi, mas contra linhas de suprimento do regime e posições ao redor das cidades de Brega, Ajdabiya e Misrata", relata Davies.

Para o correspondente, o fato de os rebeldes serem pouco organizados dificulta ainda mais o trabalho da aliança ocidental.

Combates

Em meio aos confrontos, o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) disse ter informações "confiáveis e consistentes" de que franco-atiradores leais a Khadafi estariam alvejando especificamente crianças em Misrata.

A cidade é a única controlada por rebeldes no oeste do país e está cercada e sob ataque há semanas por forças do governo. Os insurgentes afirmaram que a cidade pode "deixar de existir" a menos que a ONU intervenha.

Um navio do programa de alimentação da ONU entregou toneladas de biscoitos energéticos, farinha, tabletes purificadores de água e remédios para pelo menos 30 mil pessoas para um mês.

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