Pelo menos 19 pessoas são mortas em protestos na Síria, diz oposição

Deraa, 8 de abril/Reuters Direito de imagem BBC World Service
Image caption Milhares de pessoas teriam participado dos protestos em Deraa

Pelo menos 19 manifestantes foram mortos nesta sexta-feira durante protestos pró-democracia na cidade síria de Deraa, de acordo com testemunhas.

Autoridades sírias, entretanto, afirmam que apenas um integrante das forças de segurança e o motorista de uma ambulância foram mortos.

A correspondente da BBC na capital do país, Damasco, diz que testemunhas afirmam que forças de segurança dispararam contra a multidão na cidade.

A TV estatal síria mostrou imagens dos protestos afirmando que “sabotadores abriram fogo contra moradores e forças de segurança”.

Há relatos de protestos em pelo menos outras cinco cidades sírias, nesta sexta-feira, dia em que geralmente tem ocorrido as maiores manifestações, após as tradicionais orações.

Deraa

A cidade de Deraa, no sul do país, tem sido um dos focos dos protestos que ocorrem na Síria desde meados do mês passado.

A crise atual começou há algumas semanas, após a prisão de adolescentes que haviam pintado frases contra o governo em um muro na cidade.

Ativistas e grupos de defesa dos direitos humanos afirmam que entre 60 e 130 pessoas morreram nos choques com as forças de segurança nas últimas semanas, mas o governo estima o número de mortos em cerca de 30.

Os protestos são considerados o maior desafio para a autoridade do presidente Bashar al-Aassad desde que substituiu seu pai, Hafez al-Assad, no ano 2000.

Em março, uma estátua de Hafez em Deraa foi derrubada e um escritório do partido governista Baath, incendiado durante os protestos.

Reformas

A Síria é um dos países do Oriente Médio que têm registrado manifestações pró-democracia que já derrubaram os governos de Tunísia e Egito.

Na semana passada, Bashar al-Assad, não conseguiu acalmar os ânimos do país ao afirmar em um discurso que os protestos são resultado de uma conspiração internacional e que estudaria uma revisão das leis que restringem as liberdades individuais.

Assad admitiu a necessidade de reformas, mas disse que elas seriam feitas de acordo com o ritmo determinado por seu governo e não sob pressão.

As leis do país permitem ao governo deter pessoas sem acusações, restringe encontros públicos e aglomerações e movimentos de pessoas.

A legislação está em vigor desde 1963 e é, segundo analistas, bastante impopular.

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