Confronto em protesto deixa um morto no Egito

Ônibus queimado na praça Tahrir, Cairo, depois de protesto (AP) Direito de imagem BBC World Service
Image caption Manifestantes já voltaram à praça Tahrir, no Cairo

O Ministério da Saúde do Egito informou neste sábado que uma pessoa morreu e outras 71 ficaram feridas durante uma operação das forças de segurança para retirar manifestantes da praça Tahrir, no centro do Cairo.

Segundo outras informações vindas do país mas que não tem confirmação independente, duas pessoas foram mortas.

As forças de segurança entraram na praça Tahrir na madrugada deste sábado para retirar os manifestantes que exigiam que o ex-presidente Hosni Mubarak e sua família fossem julgados por corrupção.

Os militares teriam entrado na praça disparando para o alto e acertando os manifestantes com bastões. Autoridades de segurança do Egito negaram as acusações de que foram usadas balas verdadeiras contra os manifestantes.

A praça Tahrir se transformou no centro simbólico dos protestos que levaram à renúncia de Mubarak em fevereiro, depois de quase 30 anos no poder.

Segundo a correspondente da BBC no Cairo Yolande Knell, depois dos confrontos durante a madrugada, restaram veículos queimados na praça e o arame farpado fechou o acesso de veículos à praça.

Acampamento

A violência na madrugada de sábado ocorreu depois de um grande protesto na sexta-feira com centenas de milhares exigindo o julgamento de Mubarak por corrupção.

De acordo com a correspondente da BBC, a operação da madrugada ocorreu depois que os manifestantes estabeleceram um novo acampamento na praça Tahrir.

Os manifestantes também formaram uma corrente humana para proteger vários oficiais do Exército que se juntaram ao protesto, desafiando seus superiores.

Testemunhas afirmaram que alguns manifestantes foram espancados e presos pelos militares, por desrespeito ao toque de recolher durante a noite. Muitos se refugiaram em uma mesquita próxima do centro.

Muitos dos manifestantes já voltaram para a praça Tahrir.

Eles afirmam que não vai sair da praça no centro da capital egípcia até que suas exigências sejam atendidas. Além do julgamento para Mubarak e sua família, os manifestantes também querem a renúncia do substituto de Mubarak, que ocupa o cargo de líder interino do Egito, Mohammed Hussein Tantawi.

"Tantawi é Mubarak e Mubarak é Tantawi", gritavam os manifestantes na praça.

Muitos do Egito acreditam que os militares que agora supervisionam a transição política no país estão protegendo o ex-presidente.

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