Mubarak nega corrupção em 1º pronunciamento desde renúncia

Mubarak Direito de imagem BBC World Service
Image caption Ex-presidente foi convocado para interrogatório

O ex-presidente do Egito Hosni Mubarak fez sua primeira declaração ao público desde que deixou o poder há dois meses, afirmando que as acusações de corrupção contra sua família não tem fundamento.

Mubarak renunciou em fevereiro depois de grandes protestos contra o governo do Egito e fugiu para sua casa em Sharm el-Sheik.

Em seus comentários transmitidos pelo canal de televisão árabe al-Arabiya, Mubarak afirmou que tem o direito de defender sua reputação e negou ter bens em outros países.

"Tenho sofrido muito devido a campanhas injustas e acusações falsas contra mim e contra minha família", disse.

"Elas visam manchar minha reputação e desacreditar minha integridade, minha posição, minha história política e militar, durante a qual trabalhei duro pelo Egito e seu povo, na guerra e na paz."

Mubarak, de 82 anos, não tinha se pronunciado desde um discurso transmitido pela televisão em 10 de fevereiro, no qual ele se recusava a renunciar. Um dia depois, ele fugiu do Cairo para sua casa no balneário de Sharm el-Sheik, no Mar Vermelho.

Acredita-se que o ex-líder egípcio esteja com problemas de saúde, mas seus assessores negam.

A promotoria pública do Egito proibiu que Mubarak e sua família deixem o país. Os bens da família foram congelados e as medidas também se aplicam aos filhos de Mubarak, Gamal e Alaa, e às suas esposas.

Mubarak e seus filhos também foram convocados pela procuradoria para um interrogatório, a respeito de supostos atos de corrupção e pela morte de manifestantes que se opunham ao seu governo.

Também neste domingo, autoridades egípcias prenderam o ex-premiê Ahmed Nazif, sobre suposto mau uso de dinheiro público durante o governo de Mubarak. Nazif é a principal autoridade detida no país desde a queda de Mubarak.

Investigação

Na sua declaração televisionada, Mubarak afirmou que quer cooperar com qualquer investigação que prove que ele não tem nenhuma propriedade ou contas bancárias em outros países.

"Eu reservo meus direitos legais em relação a qualquer um que tente arruinar a minha reputação e a de minha família", disse.

Manifestantes e ativistas contra a corrupção no Egito estão pressionando para que se investigue os bens da família Mubarak, estimados entre US$ 1 bilhão e US$ 70 bilhões.

O Egito já pediu a vários países para congelar os bens da família do ex-líder mantidos fora do Egito.

Três ex-ministros da era Mubarak, incluindo o ex-ministro do Interior Habib el-Adly, já foram acusados de corrupção.

O pronunciamento de Mubarak foi gravado no sábado, segundo a al-Arabiya, no momento em que o Cairo enfrentava novos protestos e confrontos entre manifestantes e forças de segurança do governo.

Segundo correspondentes, os manifestantes estão impacientes com o ritmo lento das mudanças impostas pelo conselho militar que substituiu Mubarak depois de sua renúncia.

Muitos dos oposicionistas acreditam que os militares que estão supervisionando a transição política no país estão protegendo o ex-presidente.

Neste domingo, o governo interino do Egito anunciou que vai retirar do poder alguns dos governadores de províncias que foram nomeados por Mubarak.

A medida seria uma concessão aos manifestantes, que exigem que Mubarak e sua família sejam julgados por corrupção e que também pediram a substituição destes governadores.

O anúncio do governo interino egípcio ocorre depois de as forças de segurança do país terem entrado na praça Tahrir, centro do Cairo, no sábado em confrontos que deixaram pelo menos um morto.

Centenas de manifestantes continuam acampados na praça Tahrir, centro simbólico dos protestos que levaram à renúncia de Mubarak, depois de quase 30 anos no poder. Outros chegaram durante a noite de sábado.

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