Quatro morrem em protestos na Síria, dizem testemunhas

Imagem atribuída a vídeo de funeral de manifestante morto na sexta-feira, em Deraa Direito de imagem Reuters (audio)
Image caption Confrontos dois dias antes haviam deixado dezenas de mortos

Confrontos durante uma manifestação antigoverno na cidade de Baniyas, no sul da Síria, deixaram estimados quatro mortos neste domingo, num momento em que a tensão política cresce no país.

Milícias aliadas ao governo teriam matado a tiros três manifestantes, segundo testemunhas. E a imprensa estatal relatou que um policial morreu em uma emboscada.

Outro policial teria ficado ferido no episódio.

Os conflitos acontecem dois dias depois de um outro protesto antigoverno de grande magnitude, na cidade de Deraa, também no sul. Na ocasião, testemunhas ouvidas pela BBC disseram que pelo menos 23 pessoas morreram.

Baniyas, cidade portuária a 300 km da capital Damasco, teve interrompidos os serviços de telefonia e internet, dificultando a verificação dos desdobramentos das manifestações.

A correspondente da BBC em Damasco Lina Sinjab diz que, quanto maior a repressão às manifestações, mais cresce a raiva dos opositores de Assad.

Ao mesmo tempo, grupos de direitos humanos acusam as forças de segurança sírias de uso excessivo da força para reprimir manifestações supostamente pacíficas e aglomerações em funerais de manifestantes mortos.

Desafio sem precedentes

A Síria é um dos países do Oriente Médio que têm registrado manifestações pró-democracia que já derrubaram os governos de Tunísia e Egito.

Analistas dizem que os protestos são um desafio sem precedentes ao governo de 11 anos do presidente Bashar Al-Assad. Ele propôs a implantação de reformas, mas os ativistas dizem que as propostas não são suficientes.

Assad disse que as reformas seriam feitas de acordo com o ritmo determinado por seu governo e não sob pressão.

As leis do país permitem ao governo deter pessoas sem acusações, restringe encontros públicos e aglomerações e movimentos de pessoas.

A legislação está em vigor desde 1963 e é, segundo analistas, bastante impopular.

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