Berlusconi admite que deu dinheiro a jovem pivô de escândalo

Berlusconi discursa para correligionários do lado de fora de tribunal em Milão, no dia 11 de abril de 2011 (Foto - Reuters) Direito de imagem REUTERS
Image caption Premiê contou ter se comovido com história 'dolorosa' de Ruby

O primeiro-ministro da Itália, Silvio Berlusconi, admitiu nesta segunda-feira que deu dinheiro a uma jovem com que é acusado de ter tido relações sexuais quando ela era menor de idade, mas negou que tenha usado os serviços dela como prostituta.

O premiê italiano disse que deu à jovem marroquina Karima El-Mahroug dinheiro para comprar um equipamento de depilação a laser, o que teria dado a ela a oportunidade de entrar como sócia em um negócio.

“Dei a ela a possibilidade de entrar num centro de estética por 45 mil euros (cerca de R$ 107 mil). No entanto ela declarou que eram 60 mil euros (aproximadamente R$ 138 mil)”, afirmou Berlusconi.

“Autorizei que lhe dessem este dinheiro para evitar que ela passasse qualquer necessidade e para que não fosse obrigada a se prostituir”, disse.

O premiê também rebateu a acusação de ter mantido relações sexuais com Karima, afirmando que a própria jovem, conhecida na Itália como Ruby, desmentiu estas afirmações sob juramento.

Grampos

O primeiro-ministro italiano, de 74 anos, é acusado de ter mantido relações sexuais com Ruby enquanto ela era menor de idade entre setembro de 2009 e maio de 2010.

Karima teria participando de festas eróticas, chamadas de “bunga bunga”, na residência do premiê na cidade de Milão (norte da Itália), juntamente com outras jovens. Algumas delas eram brasileiras.

No processo, a promotoria se baseia, entre outros documentos, em escutas de telefones do premiê e dos de algumas moças que participavam das festas.

Na avaliação de Berlusconi, os grampos não podem ser usados como prova porque são manipuláveis e nem sempre retratam a realidade.

“Quando se fala ao telefone de madrugada, estamos numa zona onírica mais do que real”, disse.

Berlusconi também é acusado de abuso de poder por ter telefonado para a Secretaria de Segurança de Milão, em maio de 2010, pedindo que a polícia soltasse Ruby, presa numa delegacia da cidade após ter cometido um furto. Ele disse às autoridades locais que Ruby era sobrinha do ex-presidente do Egito Hosni Mubarak.

“Não existe abuso algum de poder, pedi informações preocupado por um possível incidente diplomático”, rebateu Berlusconi.

Fraude fiscal

Berlusconi fez as declarações antes de entrar em um tribunal em Milão onde participou de uma audiência de um outro processo em que responde, juntamente com outras 11 pessoas, à acusação de fraude fiscal.

No chamado Caso Mediaset, os acusados, segundo a promotoria, teriam montado um sistema para inflar os preços dos direitos de filmes que seriam transmitidos pelas emissoras de TV que pertencem à família de Silvio Berlusconi.

A diferença entre o preço normal e o preço inflado teria sido enviada para um caixa dois do grupo em paraísos fiscais.

Segundo Silvio Berlusconi, estas acusações não tem qualquer fundamento e seriam mais uma invenção de “juízes que fazem política com processos midiáticos”.

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