China se compromete com maior diversificação comercial com Brasil

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Image caption Dilma e Hu Jintao brindam após assinatura de acordos em Pequim

O memorando assinado pela presidente Dilma Rousseff e o presidente chinês, Hu Jintao, após uma reunião no Palácio do Povo, em Pequim, assume o compromisso de tentar atender à principal demanda do Brasil nesta viagem: a diversificação da relação entre Brasil e China.

Em dois discursos, antes de se encontrar com Hu Jintao, Dilma destacou a necessidade de se iniciar um novo capítulo na relação com a China, com investimentos em áreas que agreguem valor à cadeia produtiva brasileira e mais abertura no mercado chinês a produtos brasileiros que não sejam apenas commodities.

Em um de seus discursos, no seminário empresarial do qual participou, a presidente chegou a dizer que nenhum país pode alcançar a prosperidade à custa de outros.

O documento, assinado pelos dois presidentes, faz várias referências - menos incisivas - à questão.

“A parte chinesa manifestou disposição de incentivar suas empresas a ampliar a importação de produtos de maior valor agregado do Brasil”, diz o documento.

Na área de investimentos, o memorando diz que os dois lados “comprometeram-se a ampliar e a diversificar investimentos recíprocos em particular na indústria de alta tecnologia, automotiva, nos setores de energia, mineração, logística, sob forma de parcerias entre empresas chinesas e brasileiras”.

Brasil e China falaram da importância de “estratégias comuns para agregar valor a produtos alimentares agrícolas”.

Sem novidades

Se houve avanços na busca por mais equilíbrio na relação entre os dois países, pelo menos nas promessas expressas pelo documento, em outros pontos importantes da relação bilateral, não houve novidades.

O Brasil não reconheceu o status da China como economia de mercado, uma questão pendente desde que o governo Lula prometeu o reconhecimento do status em 2004.

Entre analistas chineses, havia expectativa de que, com uma solução para o caso da Embraer na China, o Brasil cedesse e pudesse mudar a posição de protelar o reconhecimento oficial.

Um acordo permitiu que a Embraer mantivesse sua fábrica em Harbin, na China, após conseguir licença do governo para produzir no país jatos executivos Legacy, que não competem com o objetivo do governo chinês de desenvolver seu próprio avião comercial de grande porte.

O documento, no entanto, diz que “a parte brasileira reafirmou o compromisso de tratar de forma expedita a questão do reconhecimento da China como economia de mercado”.

Do lado chinês, não houve apoio explícito à candidatura do Brasil a uma vaga permanente no Conselho de Segurança da ONU em uma eventual reforma da organização.

Bom sinal

A diplomacia brasileira, no entanto, interpretou como um bom sinal algumas palavras presentes no texto.

Um exemplo é: “A China atribui alta importância à influência e ao papel que o Brasil, com maior país em desenvolvimento do hemisfério ocidental, tem desempenhando em assuntos regionais e internacionais, e compreende e apoia a aspiração brasileira de vir a desempenhar papel mais proeminente nas Nações Unidas”.

O documento prevê ainda a ida de uma missão empresarial chinesa ao Brasil no primeiro semestre de 2011 para, segundo o memorando, promover a diversificação do comércio bilateral e investimento recíproco.

Na viagem, o governo comemorou ainda o anúncio de investimentos de cerca de US$ 1 bilhão (R$ 1,6 bilhão) pela China no Brasil. Entre eles, está a implantação de uma fábrica de processamento de soja na Bahia, a construção de um centro de pesquisa e desenvolvimento em Campinas e um investimento em tecnologia da informação em Goiás.

Dilma e a delegação brasileira, que ficam na China até sábado, assinaram mais de 20 acordos de cooperação em diversas áreas.

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