Estudantes da Colômbia buscam universidades brasileiras

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Image caption Fernando Rojas, 32, fez mestrado em universidade brasileira em 2004

O Brasil se tornou um dos destinos preferidos de colombianos que estudam no exterior: o número de vistos concedidos pela embaixada brasileira na Colômbia aumentou quase cinco vezes na última década.

Em 2001, foram entregues 276 vistos de estudante a colombianos e, em 2010, 1.212. Nos três primeiros meses de 2011, já foram 683 vistos, mais que a metade dos concedidos no ano passado. A maior parte dos vistos é para estudantes de pós-graduação, mestrado ou doutorado. Tanto interesse se explica, em parte, pela aproximação entre os dois países e especialmente pela maior divulgação na Colômbia dos programas de bolsas que o governo brasileiro oferece a países em desenvolvimento. Um dos mais procurados pelos colombianos é o chamado PEC-PG (Programa de Estudante-Convênio Pós-Graduação). Os selecionados recebem bolsas de R$ 1.200,00 para mestrado e R$ 1.800,00 para doutorado em universidades brasileiras.

“O objetivo é transferir conhecimento para países em desenvolvimento. Os colombianos descobriram esse caminho para estudar e mesmo aqueles que não conseguem bolsas acabam indo por conta própria. Quando voltam, se tornam multiplicadores e são bastante valorizados por terem estudado no exterior”, diz à BBC Brasil a diplomata brasileira na Colômbia Clarissa Forecchi.

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Image caption Sara Mejia se prepara para tentar bolsa de mestrado em sociologia

No topo dos aprovados A Colômbia é o país com mais aprovados no programa brasileiro. Em 2010, estudantes de 29 países se inscreveram no PEC-PG, e pouco menos de um terço das bolsas ficou com colombianos. Foram 68 selecionados. O segundo colocado, o Peru, obteve 36 vagas. O estudante precisa de uma carta de aceitação da entidade em que deseja ingressar, e ainda tem que apresentar o Certificado de Proficiência em Língua Portuguesa para Estrangeiros. Muitos dos que não conseguem financiamento acabam indo ao Brasil e ingressando em cursos privados. A maior parte dos estudantes vai para instituições do Sudeste e do Sul. Dentre aqueles que têm financiamento, por exemplo, mais de 80% estudam em São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais. A Universidade de São Paulo (USP) foi a que mais recebeu colombianos neste ano, com 35% dos selecionados.

O primeiro passo dos colombianos que querem estudar no Brasil é aprender português. No Instituto Brasil-Colômbia (Ibraco), em Bogotá, a procura pelo idioma também cresceu muito. Em 2010 foram matriculados 3.386 alunos. A diretora do Instituto, Margarita Duran, acredita que isso é fruto da maior integração entre Brasil e Colômbia.

“Antes o destino dos estudantes colombianos que queriam ir ao exterior era a Europa e os Estados Unidos, mas os alunos estão vendo como as faculdades brasileiras têm qualidade e que os preços são bastante acessíveis”, diz à BBC Brasil a diretora. Curso intensivo

Sara Mejia, 25 anos, é advogada e terminou recentemente um curso intensivo de português no Ibraco. Ela se prepara para tentar uma bolsa de mestrado em alguma universidade brasileira na área de sociologia.

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Image caption Procura por aulas de português tem crescido no Instituto Brasil-Colômbia

“Eu descobri que as faculdades do Brasil estão entre as melhores no ranking da América Latina e eu prefiro estudar lá do que em países europeus, porque temos muito mais em comum”, diz. “Além disso, estudando o português brasileiro, eu vi que eu conheço muito pouco o Brasil”.

O cientista político colombiano Fernando Rojas, 32 anos, fez mestrado em uma universidade privada brasileira entre 2004 e 2005. Rojas conta que, por meio da internet, descobriu uma linha de pesquisa na área de gestão urbana em Curitiba.

Juntou dinheiro, estudou cinco meses de português e foi ao Brasil. No primeiro ano, conseguiu uma bolsa de 60% na própria universidade. No ano seguinte, obteve o valor integral.

Atualmente, Rojas é professor universitário em Bogotá.

“Para mim, o Brasil tem o modelo acadêmico que nós precisamos. Lá eu descobri que podemos ser criativos e que isso faz toda a diferença quando se fala de países em desenvolvimento. Além disso, viver lá me fez conhecer mais profundamente este país onde as pessoas são tão amáveis e solidárias”, diz.

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