Empresa que opera usina no Japão pode ter que pagar US$ 26 bi a vítimas

Operação de limpeza e contenção do vazamento na usina de Fukushima (Reuters) Direito de imagem BBC World Service
Image caption Companhia Tepco está tentando conter vazamento radioativo na usina

A Tepco, empresa que opera a usina atômica de Fukushima, no Japão, poderá ter que pagar até US$ 26 bilhões em indenizações, segundo avaliação do banco JP Morgan.

A companhia está tentando conter um vazamento de radiação na central nuclear e, nesta terça-feira, as autoridades do Japão elevaram a gravidade da crise nuclear no país para o nível máximo, o nível 7, o mesmo adotado na crise nuclear desencadeada pelo desastre de Chernobyl, em 1986.

A decisão foi tomada depois da medição da radioatividade na usina.

Enquanto a companhia luta para conter a crise nuclear, as ações da Tepco registraram queda na bolsa de valores de Tóquio.

As ações da Tepco perderam mais de 75% de seu valor desde 11 de março e estão chegando à cotação mais baixa já registrada.

Leia também na BBC Brasil: Japão emite alerta nuclear em nível equivalente ao de Chernobyl

Interpretação da lei

Analistas afirmam que, no que diz respeito às indenizações que a Tepco poderá ter que pagar, muito vai depender de como a lei japonesa para estes casos é interpretada.

De acordo com a legislação, os operadores de uma instalação nuclear podem ser isentos de encargos se o acidente em uma usina for desencadeado por um desastre natural de caráter excepcional.

Segundo os analistas, a decisão de encaixar ou não a atual crise neste tipo de situação poderá determinar o destino da Tepco.

"Uma questão importante no que diz respeito às indenizações é se o acidente na usina nuclear de Fukushima pode ser considerado um desastre natural inevitável", afirmou Tomohiro Jikihara, da JP Morgan.

O governo japonês ainda deve decidir se vai classificar o terremoto seguido de tsunami como um desastre excepcional.

Gravidade da crise

Até agora, o grau de gravidade da crise nuclear no Japão estava no nível cinco, o mesmo do acidente em Three Mile Island, nos Estados Unidos, em 1979.

O Japão também decidiu ampliar a zona de evacuação em torno da usina nuclear afetada, por causa da preocupação com o vazamento radioativo.

A zona passará a incluir cinco comunidades fora do raio de 20 quilômetros estabelecido anteriormente, após novas informações sobre os níveis de radiação acumulada, que teriam ultrapassado os limites anuais em áreas 60 quilômetros a noroeste da usina e cerca de 40 quilômetros a sul-sudoeste do local.

No Leste do Japão, um novo tremor de magnitude 6,3 pôde ser sentido nesta terça-feira, o segundo em apenas dois dias. O Aeroporto Internacional de Narita fechou suas pistas temporariamente e os serviços de trem e metrô foram interrompidos, na capital, Tóquio.

Os tremores secundários acontecem um mês depois que um violento terremoto e um tsunami atingiram o país, deixando quase 28 mil pessoas mortas ou desaparecidas.

O governo japonês retirou os moradores de uma área no raio de 20 quilômetros a partir da usina.

A usina nuclear de Fukushima Daiichi foi uma das instalações mais atingidas pelo terremoto e tsunami que atingiram o Japão no dia 11 de março. E um novo tremor de magnitude 6,3 pôde ser sentido nesta terça-feira no leste do Japão, onde fica a usina, o segundo em apenas dois dias.

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