EUA ‘negaram’ encontro de investigador da ONU com detido por Wikileaks

Bradley Manning/AP Direito de imagem AP
Image caption Bradley Manning está preso desde maio de 2010

Um investigador da ONU para casos de tortura disse o governo dos Estados Unidos rejeitou seu pedido para uma audiência não-monitorada com o soldado americano Bradley Manning, acusado de passar ao site WikiLeaks milhares de documentos secretos.

Em um comunicado, o investigador da ONU Juan Mendez disse que o governo americano "não foi receptivo a um encontro confidencial com Manning". Ele indicou que o governo só autorizaria um encontro com a presença de oficiais.

Mendez disse estar "desapontado e frustrado com a má-fé" das autoridades do país.

O soldado, de 23 anos, é acusado de vazar enquanto servia no Iraque cerca de 720 mil documentos, incluindo segredos militares e correspondências diplomáticas.

Ele está detido na base militar americana de Quantico, no Estado de Virgínia, desde maio de 2010, aguardando julgamento. Seus advogados dizem que ele vem sofrendo mal-tratos na base.

Tortura

Mendez diz que uma conversa monitorada contrariaria sua função como investigador da ONU para possíveis casos de tortura por não permitir que ele verificasse se Manning está realmente sendo maltratado.

Pessoas próximas ao soldado dizem que ele é mantido sob condições duras, confinado a uma cela desprovida de luxos ou objetos pessoais durante 23 horas por dia e forçado a se despir regularmente.

Mas um porta-voz do Pentágono disse por meio de um comunicado que apenas advogados podem ter encontros confidenciais com detidos na base de Quantico e que há “uma quantidade considerável de informações erradas” sobre Manning.

O coronel Dave Lapan disse que ele não é forçado a dormir nu ou é acordado repetidamente. A única exceção teria sido durante um curto período no mês passado.

No mês passado, o porta-voz do departamento de Estado americano PJ Crowley se demitiu do cargo alegando que a forma como Manning é tratado seria “estúpida”.

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