Mercadante quer acelerar programa para repatriar talentos brasileiros

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Image caption Mercadante faz parte da delegação brasileira que fica na China até sábado

O ministro da Ciência e Tecnologia, Aloízio Mercadante, disse nesta quarta-feira, em Pequim, que vai lançar no Brasil “ainda neste semestre” o programa para atrair talentos brasileiros no exterior que possam contribuir com o desenvolvimento do país.

Animado, após conhecer os resultados de um programa chinês semelhante, Mercadante disse que o Brasil tem pressa na questão.

“Isso vai sair o mais rápido possível, ainda neste semestre”, disse o ministro, acrescentando que os detalhes o projeto serão divulgados posteriormente.

O ministro Mercadante faz parte da delegação brasileira que fica na China até sábado. A presidente Dilma Roussef tem, nesta quarta-feira, seu terceiro dia de visita com encontro com o primeiro-ministro chinês, Wen Jiabao, e também com o presidente da Assembleia Nacional Wu Bangguo. Pela manhã, visitou a Cidade Proibida.

À tarde, parte para Sanya, no sul da China, para participar de um encontro de cúpula dos países que compõem os BRICS (Brasil, Rússia, Índia e China e África do Sul, que integra agora também o grupo).

Diáspora

A China tem um programa para atrair profissionais de destaque no exterior batizado de "Esquema de 1.000 Talentos". Ele vem atraindo cerca de 100 profissionais dos mais diversos ramos para o país a cada ano. Não apenas na área de ciência e tecnologia, que seria o foco principal do Brasil, como também em outras áreas como finanças e até jornalismo.

Na China, o governo oferece uma espécie de prêmio para incentivar o retorno da diáspora que vai de US$ 150 mil até US$ 600 mil, além de salários competitivos.

“Já conseguiram atrair cerca de 600 talentos”, disse o ministro, dizendo que o programa no Brasil seria diferente, não haveria esse incentivo financeiro oferecido na China.

Ainda assim, Mercadante acredita que o Brasil seria um destino atraente para brasileiros hoje no exterior se forem oferecidos salários de nível mundial e excelentes condições de trabalho e pesquisa na área de ciência e tecnologia.

“Temos visto um interesse grande de brasileiros da diáspora em projetos em universidades, por exemplo”, disse.

Além de tentar atrair esses “cérebros” para o trabalho no Brasil, por meio de empregos ou bolsas de estudo, o ministro quer que se criem redes de contato com brasileiros no exterior para intercâmbio de experiências e atividades mais práticas, como organização de palestras e seminários no Brasil.

Mercadante disse ainda não ter uma estimativa do total de brasileiros em posições de ponta no mundo, mas, apenas nos Estados Unidos, segundo foi informado pelo governo americano, há por volta de três mil professores universitários de origem brasileira.

“Mas há exemplos no mundo inteiro e não apenas no mundo acadêmico. Também na iniciativa privada”, disse.

'Pólo de Tecnologia da Informação'

Mercadante disse ainda querer transformar o Brasil em um pólo regional de Tecnologia da Informação, aproveitando o impulso dado pela promessa de investimento da Foxconn de US$ 12 bilhões em cinco anos para a construção de uma planta de fabricação de telas de cristal líquido no Brasil. A empresa anunciou ainda que começará a montar Ipads no Brasil a partir de novembro.

Questionado sobre se, aproveitando o impulso desta promessa de investimento, o Brasil já está buscando ou vai buscar outros investimentos de grande porte do ramo no Brasil, Mercadante destacou que muitas destas negociações exigem sigilo, mas que outro contato de grande porte está sendo feito.

“Tudo exige muita negociação, mas nossa visão para o Brasil vai por aí”.

Além da promessa de investimento bilionária da Foxconn, o governo comemorou outros possíveis avanços na relação com a China e alguns investimentos de menor porte.

Entre esses avanços, está o compromisso firmado pelo governo chinês, no comunicado conjunto divulgado na terça-feira, de tentar diversificar os investimentos e comércio bilateral com o Brasil.

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