Ministro francês defende nova resolução da ONU para a Líbia

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Image caption Rebeldes líbios combatem as forças do governo na cidade de Misrata

O ministro de Defesa francês, Gerard Longuet, defendeu nesta sexta-feira que o Conselho de Segurança da ONU adote uma nova resolução para que os aliados possam atingir seus objetivos em suas operações militares na Líbia.

A declaração de Longuet ocorreu depois que os líderes de Estados Unidos, Reino Unido e França emitiram uma carta conjunta afirmando que não haverá paz no país do norte africano caso o coronel líbio Muamar Khadafi continue no poder.

A resolução do Conselho de Segurança atualmente em vigor não faz menções à troca de regime na Líbia, onde as forças de Khadafi combatem insurgentes desde fevereiro.

Falando a uma rádio francesa, Longuet admitiu que tirar Khadafi do poder estaria "certamente" fora do escopo da resolução 1973 do Conselho de Segurança, o que tornaria necessária uma nova votação na ONU.

"Certamente (a resolução) não menciona o futuro de Khadafi, mas eu acho que três grandes países dizendo a mesma coisa é importante para as Nações Unidas, e talvez um dia o Conselho de Segurança adote uma (nova) resolução", disse.

Carta aberta

Em carta aberta publicada nesta sexta-feira, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, seu colega francês, Nicolas Sarkozy, e o primeiro-ministro britânico, David Cameron, pediram que a Otan continue pressionando Khadafi e protegendo os civis líbios.

O comunicado conjunto, publicado nos jornais The Times (britânico), International Herald Tribune (americano) e Le Figaro (francês), afirma que permitir que o líder líbio continue no poder seria uma "traição" ao povo do país.

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Nem todos os 28 integrantes da Otan estão realizado ataques aéreos na Líbia. Entre os países ativos na missão estão França, Reino Unido, Canadá, Bélgica, Noruega e Dinamarca.

Na última quarta-feira, o Pentágono confirmou que aviões americanos continuavam também participando da ofensiva, apesar de o país ter anunciado que iria deixar de realizar voos de ataque regulares.

Os pilotos da Otan estão realizando bombardeios contra as forças de Khadafi para aplicar a área de exclusão aérea imposta pela resolução da ONU, que também prevê a proteção de civis.

Rasmussen

Em conferência realizada em Berlim, o secretário-geral da Otan, Anders Fogh Rasmussen, disse que a coalizão militar se mantém fiel aos termos da resolução, e que a operação prosseguirá desta forma.

"A operação da Otan é legítima. (...) Nós não iremos além do texto ou do espírito da resolução 1973 do Conselho de Segurança da ONU", afirmou Rasmussen.

Ele admitiu, no entanto, que é "impossível" imaginar que as ameaças aos civis da Líbia venham a desaparecer enquanto Khadafi estiver no comando.

O encontro em Berlim, que reuniu ministros do Exterior dos países-membros da Otan, terminou sem que nenhum país tenha se comprometido a colaborar com mais aviões para a operação na Líbia.

Na quinta-feira, Rasmussen havia dito que mais aviões com tecnologia sofisticada seriam necessários para realizar os ataques contra as forças de Khadafi minimizando o número de vítimas civis.

Leia mais: Otan pede mais aviões para combater regime de Khadafi

Apesar da falta de promessas de mais aviões, Rasmussen disse em uma entrevista à BBC que, durante a reunião de Berlim, houve indicações de que os países estão dispostos a reforçar o poder de ataque, a fim de aplicar totalmente a resolução da ONU.

Misrata

Rasmussen afirmou que eliminar franco-atiradores na cidade líbia de Misrata, onde os rebeldes temem ser massacrados pelas forças de Khadafi, pode ser um "grande problema", devido ao risco de atingir civis por engano.

O chefe da Otan disse ter "total confiança" em seus comandantes militares e afirmou que, apesar das limitações impostas pela resolução da ONU, a aliança ocidental ainda pode "fazer muito" para pressionar as forças de Khadafi.

Para Rasmussen, a mensagem para Khadafi está clara de que "o jogo acabou" e que o atual regime líbio não tem futuro.

No entanto, a Itália - país que era considerado um potencial participante nas operações - deu indícios de que deve descartar ordens para que seus aviões militares abram fogo na Líbia.

Até agora, os italianos contribuíram apenas ao ceder suas bases aéreas à Otan, enquanto oito de suas aeronaves estão sendo usadas para missões de reconhecimento e monitoramento.

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