Presidente da Síria promete fim do estado emergência na semana que vem

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Image caption Assad está sob pressão após semanas de protestos contra o governo

O presidente da Síria, Bashar al-Assad, afirmou que vai pôr fim na semana que vem ao estado de emergência que vigora no país há quase 50 anos.

O anúncio foi feito neste sábado durante discurso dirigido a seu novo gabinete, que foi transmitido pelas redes de TV.

Assad está sob pressão após semanas de protestos antigoverno na capital, Damasco, e em outras grandes cidades sírias. O cancelamento das leis de emergência é uma das principais demandas dos manifestantes.

Na sexta-feira, dezenas de milhares de sírios saíram às ruas em Damasco, em um dos maiores protestos desde o início das manifestações, há mais de um mês.

Forças de segurança usaram cassetetes e bombas de gás lacrimogêneo para dispersar a multidão. As cidades de Deraa, Latakia e Baniyas, entre outras, também foram palco de grandes manifestações.

Conspiração

Enquanto reiterava sua visão de que a Síria está enfrentando uma conspiração, Assad disse não acreditar que pôr fim ao estado de emergência iria desestabilizar o país.

Ele também afirmou aos novos membros do gabinete que havia pedido a uma comissão que analisasse a medida.

“A comissão concluiu seus trabalhos na quinta-feira e as recomendações serão passadas ao governo, para entrem em vigor imediatamente. Não sei em quantos dias isso ocorrerá, mas creio que o prazo máximo será o fim da semana que vem”, afirmou o presidente.

A atual legislação proíbe, por exemplo, a reunião de mais de cinco pessoas.

Segundo o correspondente da BBC Owen Bennet Jones, baseado no vizinho Líbano, A questão agora é saber se essa mudança será suficiente para persuadir os manifestantes a voltarem para suas casas ou se ela vai encorajar mais protestos para tentar obter outras reformas.

Human Rights Watch

O grupo de defesa de direitos humanos Human Rights Watch afirmou nesta sexta-feira que os serviços de segurança e inteligência da Síria estão "detendo arbitrariamente", torturando e maltratando centenas de manifestantes em todo o país.

Líderes da oposição afirmam que mais de 200 pessoas já morreram desde o início dos protestos.

Autoridades sírias, no entanto, afirmam que as vítimas não são somente civis, mas também integrantes das forças de segurança. Representantes do governo culpam grupos armados pelas mortes no país.

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