Agência da ONU pede cessar-fogo imediato na Líbia

Filha de imigrante espera embarque em navio para sair de Misrata (Getty) Direito de imagem BBC World Service
Image caption Imigrantes tentam deixar Misrata, na Líbia

A coordenadora de Assuntos Humanitários da ONU, Valerie Amos, pediu nesta segunda-feira um cessar-fogo na Líbia para permitir uma avaliação das necessidades dos civis no país.

Amos disse à BBC que moradores da cidade de Misrata, que cinco há semanas é palco de violentos controntos entre rebeldes e forças leais ao coronel Muamar Khadafi, precisam de ajuda com urgência.

"Estamos recebendo informações de que há milhares de pessoas esperando para ser retiradas, de que há pessoas precisando desesperadamente de atendimento médico, de que saneamento e água são um problema na cidade, e que eles não têm eletricidade."

Amos disse ainda que abordou o problema com o governo líbio, e recebeu a resposta de que eles não dariam "garantias de segurança" ou permitiriam a entrada na cidade.

"Pedi a suspensão das hostilidades (entre governo e rebeldes) para permitir que as pessoas que estão em um ambiente muito volátil e inseguro possam sair, para permitir que entreguemos suprimentos médicos com urgência e para ter uma ideia melhor do que está acontecendo, não apenas em Misrata, mas em outras cidades vulneráveis da Líbia."

Retirada financiada

A Grã-Bretanha anunciou nesta segunda-feira que vai financiar a retirada de cinco mil imigrantes que não conseguem sair do oeste da Líbia devido aos confrontos.

De acordo com o ministro britânico de Desenvolvimento Internacional, Andrew Mitchell, a Grã-Bretanha vai ajudar a fretar navios para retirar civis de Misrata.

Mitchell está em Nova York, em uma reunião da ONU para discutir a situação na Líbia.

"Fomos eficazes para lidar com problemas nas fronteiras, mas dentro da Líbia, devido às ações do regime de Khadafi, a situação se deteriorou, principalmente em Misrata", disse Mitchell à BBC.

De acordo com a correspondente da BBC na ONU Barbara Plett, alguns dos civis em situação mais desesperadora na cidade líbia são trabalhadores imigrantes de Oriente Médio, África e sul da Ásia.

Mitchell, por sua vez, afirmou que a Grã-Bretanha vai ajudar a financiar a retirada destes civis em navios fretados pela Organização Internacional para a Imigração. Segundo ele, mais verbas serão destinadas ao fornecimento de ajuda médica para os que foram atingidos pela violência no oeste da Líbia.

O Departamento para Desenvolvimento Internacional da Grã-Bretanha informou que cerca de 300 civis foram mortos e outros mil ficaram feridos em Misrata desde o final de fevereiro.

No domingo, seis civis teriam morrido e mais ficado feridos devido a disparos de foguetes. Combatentes partidários do governo também teriam bombardeado a cidade de Ajdabiya, no leste da Líbia.

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