Brasil agiu no tempo certo para conter crédito, diz Mantega

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Image caption Mantega também afirmou que no momento não é necessário aumentar preço dos combustíveis

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse nesta segunda-feira que o Brasil agiu "no timing certo" para que o crédito "não suba acima das nossas necessidades", num momento em que o governo tenta conter a pressão inflacionária.

"Hoje o Brasil usa várias armas para reduzir o volume de crédito e a pressão inflacionária", disse, citando os aumentos recentes no IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) e na taxa de juros.

"Queremos que o crédito suba, sim, mas não acima de nossas necessidades. As medidas (de contenção) estão sendo tomadas no timing certo. O Brasil foi muito eficiente na recuperação da economia e isso não foi por acaso – ele não se antecipou e não foi muito afoito no desmonte das medidas (de estímulo adotadas no pós-crise global)", disse o ministro, em Nova York, onde foi o principal palestrante da conferência Brazil Summit 2011, destinada a investidores.

Quanto à valorização do real, o problema, disse Mantega, está no dólar. "O dólar está no seu momento mais fraco há muitas décadas, então fica difícil impedir uma valorização em relação a uma moeda mais fraca."

Mantega sugere "olhar também para a cesta de moedas", ou o conjunto de moedas de países com os quais o Brasil mantém relações comerciais. "Em relação à cesta de moedas não é essa valorização toda. O governo continuará tomando medidas para impedir a valorização excessiva do real."

Ele agregou que "temos que dar tempo para que as medidas surtam efeito", incluindo as ações tomadas para conter a pressão inflacionária.

"A elevação de juros leva seis meses para surtir efeito. (Quanto a) medidas de contenção de credito, demora até o consumidor ver a prestação subindo. Mas as medidas prudenciais tomadas em novembro começaram a fazer efeito a partir de fevereiro e março. É o caso da queda de venda de automóveis."

Metas de inflação e combustível

Mantega disse acreditar que o Brasil conseguirá manter as metas de inflação desse ano – a meta é de 4,5%, com tolerância de dois pontos percentuais para cima ou para baixo.

"Eu olho as previsões do BC e eles estão trabalhando com uma perspectiva de inflação de 5,6% neste ano. Para chegar a 6,5% tem uma longa distância. A maioria das previsões inclusive de instituições financeiras é de que no segundo semestre nós já teremos superado essa pressão de (aumento nos preços internacionais) das commodities."

O ministro também comentou a política de preços da Petrobras e disse que "não é necessário", no momento, um aumento no preço dos combustíveis nos postos brasileiros.

A Petrobras admite um possível reajuste nos preços, já que as turbulências nos países árabes fizeram disparar o valor do barril no mercado internacional. Mas o governo reluta, pois um aumento nos combustíveis refletiria na inflação.

"Em outros países, quando sobe o barril do petróleo, isso se reflete diretamente na bomba de gasolina. No Brasil isso não é assim e não tem sido assim durante muitos anos. A Petrobras faz uma política correta que diminui a volatilidade (ao não repassar imediatamente aumentos ou reduções no preço internacional do petróleo)", disse Mantega.

"Alguns meses atrás o Brasil estava com o preço do petróleo mais alto (do que o preço externo), portanto a Petrobras estava ganhando fôlego. A Petrobrás tem um fôlego, não sei exatamente de quanto tempo, mas não é necessária uma elevação imediata do preço da gasolina."

Se o aumento se tornar necessário na atual conjuntura de incertezas no Oriente Médio, o governo pretende compensar a elevação de preços com uma redução na Cide (contribuição que incide sobre a comercialização e a importação de petróleo e derivados), afirmou Mantega.

Isso "neutralizaria esse aumento de preços de modo a não alimentar o processo inflacionário brasileiro", afirmou.

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