Premiê britânico indica que vetará indicação de antecessor para liderar FMI

David Cameron, em foto de março de 2011 (AFP) Direito de imagem AFP
Image caption Para Cameron, antecessor estava alheio a endividamento do país

O primeiro-ministro britânico, David Cameron, sinalizou que poderá vetar a indicação de seu antecessor, Gordon Brown, para ser o próximo chefe do Fundo Monetário Internacional (FMI).

O premiê disse, em entrevista à BBC, que uma pessoa que ''não sabia que nós temos um problema de dívida na Grã-Bretanha'' talvez não seja ''a melhor pessoa'' para estar à frente do órgão fiscalizador das finanças globais.

O atual diretor-geral do fundo, o francês Dominique Strauss-Kahn, é ex-ministro da Economia da França. Relatos da imprensa citavam Brown como o mais cotado para suceder o francês. Antes de assumir o cargo de premiê, ele foi ministro das Finanças na gestão de Tony Blair.

Cameron disse ao programa Today, da Radio 4 da BBC, que ''não havia passado muito tempo pensando a respeito disso. Mas me parece que se você tem uma pessoa que não achava que nós tínhamos um problema de dívida na Grã-Bretanha, talvez alguém assim não seja a melhor pessoa (para comandar o FMI)''.

O primeiro-ministro acrescentou: "Acima de tudo, o que importa é que a pessoa administrando o FMI seja alguém que entende os perigos do endividamento excessivo, de um déficit excessivo e é preciso que seja alguém que entende isso, em vez de alguém que diz não ter um problema''.

'Político ultrapassado'

O premiê afirmou ainda: "Eu certamente não quero um político ultrapassado de um outro país. É importante que o FMI seja comandado por alguém extraordinariamente competente.''

Ele sugeriu que o próximo líder do FMI venha de ''outra parte do mundo'', como, por exemplo, a China e a Índia.

O conselho-executivo do FMI escolhe o diretor-geral do fundo e as principais economias mundiais possuem o maior número de votos dentro da estrutura da organização. Na prática, um candidato, que precisa da maioria dos votos para ser eleito, pode ser vetado por países como EUA, França e Reino Unido.

O FMI também diz que gosta de escolher seu chefe por consenso, o que significa que as nações com economias maiores precisam estar de acordo sobre a nomeação.

O mandato de cinco anos de Strauss-Kahn, termina no final do ano que vem. E ele não deverá renová-lo, mesmo porque pode vir a concorrer à Presidência da França.

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