Confrontos no Iêmen deixam três mortos

Manifestantes contra o governo do Iêmen em Taez (Reuters) Direito de imagem BBC World Service
Image caption Manifestantes exigem a renúncia do presidente Ali Abdullah Saleh

Membros do Conselho de Segurança da ONU pediram nesta terça-feira contenção e diálogo político aos manifestantes e autoridades do Iêmen, durante reunião do grupo em Nova York.

Mas as primeiras conversas do Conselho sobre a crise iemenita terminaram sem um acordo para uma declaração conjunta.

Diplomatas na ONU disseram que a Rússia, membro permanente do Conselho, se opôs ao teor do texto.

Antes, o chanceler russo, Sergei Lavrov, havia dito a opositores iemenitas que não esperassem uma ação internacional em seu favor como a recebida pelos rebeldes na Líbia.

As conversas, que ocorreram a portas fechadas, aconteceram pouco após as forças de segurança do Iêmen abrirem fogo contra manifestantes contrários ao governo na capital Sanaa e na cidade de Taez, no sul do país, segundo testemunhas.

Ao menos dois manifestantes foram mortos em Sanaa e outro morreu em Taez. Dezenas se feriram durante a repressão e muitos sofreram com os efeitos do gás lacrimogênio.

Nos últimos dois meses, mais de 120 pessoas foram mortas em protestos pela saída do presidente Ali Abdullah Saleh.

O líder iemenita, no poder há mais de três décadas, disse aceitar transferir o cargo, mas somente para “mãos seguras”.

Diálogos internacionais

Os primeiros confrontos na segunda-feira ocorreram em Taez, a segunda maior cidade do Iêmen, quando milhares de manifestantes participaram de uma passeata que exigia a imediata renúncia do presidente.

Forças de segurança atiraram munição real e gás lacrimogênio “indiscriminadamente” contra a multidão, segundo testemunhas. Os manifestantes fizeram barricadas com pneus em chamas.

Mais tarde, dezenas de milhares de pessoas tomaram as ruas de Sanaa, e a polícia antimotins outra vez abriu fogo contra os manifestantes.

Em retaliação, eles atiraram pedras e atearam fogo a um veículo policial.

Uma delegação do governo iemenita tinha reunião marcada nesta terça-feira com chanceleres do Conselho de Cooperação do Golfo (CCG) no emirado árabe de Abu Dhabi para discutir uma forma de pôr fim à crise.

O encontro ocorre dois dias após uma delegação opositora, liderada pelo ex-primeiro-ministro iemenita Mohammed Basindwa, encontrar-se com mediadores do golfo na Arábia Saudita.

O presidente Saleh, que inicialmente anunciou que não buscaria a reeleição quando seu mandato terminasse em 2013, disse depois que renunciaria após a realização de eleições.

Ele alertou quanto ao risco de uma guerra civil caso seja forçado a sair.

O fraco governo comandado por Saleh controla poucas áreas além da capital. Nos últimos anos, ele tem lutado contra uma rebelião armada no norte e um movimento segregacionista no sul.

Crianças mortas

Nesta terça-feira, o fundo da ONU para as crianças (Unicef) disse que ao menos 26 crianças foram mortas nos violentos protestos dos últimos dois meses.

A maioria morreu após ser atingida por munição real atirada durante os confrontos entre forças de segurança e manifestantes, segundo a porta-voz da Unicef Marixie Mercado.

“O Iêmen já era o país menos desenvolvido da região e a turbulência nos últimos meses está tendo um impacto terrível nas crianças”, diz ela.

Segundo a Unicef, outras 83 crianças foram feridas nos confrontos, 36 por munição real.

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