Escolta militar pode dificultar entrega de suprimentos na Líbia, diz ONU

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Image caption O hospital de Misrata atendeu mais de 100 feridos na quarta-feira

A coordenadora de Assuntos Humanitários da ONU, Valerie Amos, alertou que é necessário manter a separação entre as operações militares e o trabalho de ajuda humanitária na Líbia.

Segundo Amos, ainda não há necessidade de aceitar a oferta da União Europeia de escolta do Exército durante a entrega de suprimentos para a população do país, que enfrenta confrontos entre forças pró-governo e rebeldes desde fevereiro.

"Nossa responsabilidade, todo o tempo, é garantir que nossa ajuda seja oferecida de forma imparcial", disse ela.

Para Amos, escoltas militares podem colocar funcionários da ONU em risco e impedir que os suprimentos cheguem aos dois lados no conflito.

"Temos de ser extremamente cuidadosos com isso e garantir que os limites não sejam desrespeitados."

Grã-Bretanha, França e Itália afirmaram esta semana que vão enviar pequenas equipes de conselheiros militares para treinar rebeldes que querem tirar Muamar Khadafi do poder.

As forças contrárias ao governo controlam grande parte do Leste da Líbia, enquanto Khadafi mantém o domínio da capital Trípoli e de boa parte do Oeste do país.

Cessar-fogo

Uma oferta de cessar-fogo por parte do governo foi rejeitada pelos rebeldes.

Na cidade de Benghazi, leste do país, um porta-voz da organização rebelde Conselho Nacional de Transição disse que não há mais um impasse militar na Líbia, já que o aumento nos ataques aéreos da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) contra forças do governo líbio melhoraram a situação dos rebeldes.

Enquanto isso, na cidade de Misrata, a única cidade do Oeste sob controle dos rebeldes, os intensos combates continuam ferindo civis. Apenas na quarta-feira, cem pessoas teriam sido atendidas no hospital local e pelo menos cinco civis teriam sido mortos.

A alta-comissária da ONU para Direitos Humanos, Navi Pillay, disse que o suposto uso de bombas de fragmentação por forças do governo tentando retomar a cidade poderia ser considerado "um crime internacional".

Segundo Pillay, há relatos de bombas deste tipo explodindo a apenas algumas centenas de metros do hospital de Misrata e de que pelo menos dois postos de atendimento médico teriam sido atacados.

Um grupo de jornalistas foi atingido por um ataque de morteiro, que causou a morte dos premiados fotógrafos Tim Hetherington e Chris Hondros.

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